Aliss035:Centro67
06/01/16
CREDITO:ALISSON J. SILVA

Retomada do País deve começar em 2017

Diante do prolongamento da crise econômica brasileira, qualquer sinal de respiro nos indicadores ou nos ânimos de empresários e investidores já se torna motivo de comemoração. Porém, especialistas alertam que a economia não parou de andar para trás e, sim, está piorando menos. As expectativas quanto ao futuro da economia estão melhores devido às mudanças na política econômica do País mas, resultados efetivos, deverão ocorrer somente a partir do ano que vem.

De acordo com o coordenador do curso de Administração do Ibmec-BH, Eduardo Coutinho, o grande ponto para uma possível retomada do otimismo da sociedade brasileira diz respeito à sinalização de uma política econômica mais conservadora e estável, que tem contribuído para a criação de um ambiente mais propício para os negócios, desde que o governo interino assumiu.

“O afastamento da presidente Dilma Rousseff e a posse do vice-presidente Michel Temer como presidente em exercício foram o pontapé inicial para uma primeira mudança na percepção. Depois disso, as reformas propostas pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e sua equipe, endossaram ainda mais estas expectativas”, observa.

No entanto, Coutinho ressalta que as expectativas favoráveis ainda se referem ao futuro e que no presente os percalços ainda existem e são grandes. Justamente por este motivo, conforme ele, é preciso aguardar sinais concretos para classificar qualquer desempenho como uma possível recuperação.

“A preliminar é de melhoria, mas ainda é preciso aguardar. Por outro lado, muitos falam em fundo do poço. Não sei, ao certo, se chegamos a ele ou se ainda tem espaço para descer. A melhora concreta deverá ocorrer somente a partir do último trimestre do ano que vem”, alerta.

O professor dos cursos de MBAs da Fundação Getúlio Vargas (FGV), André Nassif, pondera que, embora a retomada da confiança na economia brasileira seja necessária para a recuperação do País, a mesma não é suficiente para se dizer que o movimento esteja ocorrendo. De acordo com ele, é necessário que indicadores mais concretos voltem a patamares positivos, como produção industrial e taxa de emprego.

“Tanto um quanto o outro ainda se encontram em patamares desafiadores e passíveis de novos aumentos, dada a conjuntura atual. Por isso, considero prematuro apostar em uma retomada ainda neste exercício. Prefiro acreditar que a recuperação virá mesmo a partir do ano que vem”, afirma. Fonte: Diário do Comércio.