PRODUÇÃO NO PAÍS PARA DE CAIR APÓS 21 MESES

Brasília – Após 21 meses sinalizando quedas, o índice de produção industrial voltou à zona favorável (acima de 50 pontos) em agosto deste ano, informou ontem a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O indicador subiu a 50,8 pontos, o maior resultado desde outubro de 2014, quando também ficou em 50,8 pontos. Em julho deste ano, o desempenho havia ficado em 46,6 pontos.

“O índice ainda não se afastou o suficiente da linha para afirmar que houve um crescimento da produção (a distância para a linha divisória é inferior à margem de erro do indicador, 1,0 ponto), mas interrompe uma sequência de quedas na produção que já durava 21 meses”, notou a entidade.

A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) também subiu para 66% no mês passado, contra 65% em julho. Apesar de ser um patamar historicamente baixo, o percentual é igual ao registrado em agosto de 2015, interrompendo a sequência de quedas na comparação interanual que vinha sendo registrada.

Por meio de nota, o economista da CNI, Marcelo Azevedo, informou que o resultado se deve, em parte, ao fato de muitas empresas de grande porte serem exportadoras, portanto, não dependendo apenas da demanda interna.

Ele cita também, como relevante, o fato de as encomendas de fim de ano serem iniciadas em agosto. “Como os estoques estão ajustados, qualquer aumento na demanda, mesmo pequeno, exige um incremento na produção”, disse.

A melhora também é percebida no resultado da UCI efetiva-usual, que passou de 36,5 pontos em julho para 38,3 pontos em agosto. Mesmo assim, o fato de o indicador permanecer abaixo dos 50 pontos mostra que a ociosidade ainda está acima do normal.

Como ponto positivo, a CNI destacou que os estoques seguem no nível planejado pelas empresas pelo nono mês seguido. A situação representa mudança em relação a 2015, quando empresários relatavam estoques acima do desejado como situação recorrente.

O índice de evolução do número de empregados, por sua vez, ficou em 46,3 pontos em agosto, ainda na zona considerada desfavorável Mas a CNI observa que, embora o índice aponte para nova queda do emprego industrial no mês passado, o ritmo de demissões está desacelerando. Prova disso é que o indicador chegou ao maior patamar desde dezembro de 2014.

Expectativas – Diante de alguns sinais positivos, os empresários permanecem otimistas em relação à demanda, às compras de matérias-primas e às exportações. Mas isso ainda não se traduz em perspectivas de contratações, pelo contrário. Há expectativa de redução no número de funcionários nos próximos seis meses – o indicador ficou em 47,9 pontos em setembro, contra 47,8 pontos em agosto.

O consumo, no entanto, tende a aumentar nos próximos meses, preveem os empresários. O índice ficou em 54,9 pontos em setembro, na zona de expansão pelo quarto mês consecutivo.

Já o índice de expectativa de exportação subiu a 52,4 pontos neste mês, contra 51,9 pontos em agosto. O índice de expectativa de compra de matérias-primas, por sua vez, cresceu 0,3 ponto, para 52,2 pontos em setembro.

A intenção do empresário em investir ficou em 43,4 pontos neste mês. “Nos últimos cinco meses, o índice mostra tendência de crescimento. Mas a intenção de investimento ainda é baixa: o índice está 4,4 pontos abaixo da média histórica”, ponderou a CNI. (AE) Fonte: Jornal Diário do Comércio