PRODUÇÃO INDUSTRIAL MINEIRA CRESCE 1,5% E SINALIZA RETOMADA

A produção industrial de Minas Gerais cresceu 1,5% no ano passado, na comparação com 2016, e encerrou o exercício em um patamar bem próximo do que era esperado pelo setor para o Estado, de um avanço da ordem de 1,9%. A alta foi influenciada, principalmente, pelo desempenho do segmento extrativo, que, no mesmo período, apresentou variação positiva de 3,4%. Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O economista da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) Paulo Casaca avalia que, para um período pós-crise, o resultado foi bastante significativo, porque mostra que o Estado saiu da recessão e começou a se recuperar. Ele destaca, porém, que, para 2018, ainda é preciso cautela quanto ao que vem pela frente.

“Evidentemente que a gente não descarta pontos de atenção para este ano. Temos, por exemplo, as eleições, que podem influenciar no decurso da economia nos próximos anos, e temos também a agenda de reformas estruturais que a gente precisa manter, principalmente a reforma da Previdência. Caso essa última não seja discutida, podemos ter problemas fiscais muito graves no País”, afirma Casaca.

No ano passado, oito dos treze segmentos contemplados na composição do indicador tiveram elevação na produção. Além da indústria extrativa (3,4%), puxada pelo minério de ferro em bruto ou beneficiado, contribuíram com maior peso para o crescimento do nível da atividade os ramos alimentício (1,7%), de veículos automotores, reboques e carrocerias (4,2%) e de produtos têxteis (13,8%). Esses três últimos foram impulsionados, respectivamente, pela maior fabricação de carnes de bovinos congeladas e açúcar cristal e VHP; de veículos para transporte de mercadorias; e de tecidos de algodão crus ou alvejados e tecidos de algodão tintos, estampados ou tintos em fio.

“A gente tinha feito em novembro uma projeção (para a produção) em torno de 1,9% para o ano. Então, o resultado veio em linha com o que a gente estava esperando. A diferença (de 0,4%) talvez tenha ocorrido por causa do resultado mais fraco da indústria extrativa especificamente no confronto de dezembro de 2017, com igual período de 2016”, explica o economista da Fiemg.

No acumulado de doze meses (1,5%), o crescimento no Estado foi o quinto resultado positivo seguido nessa base e indicou a manutenção de uma trajetória de alta que vem se desenhando desde outubro de 2016 (-7,9%).

Em relação a igual mês do ano anterior, a indústria em Minas recuou 1,5% em dezembro de 2017. Em sentido oposto, a produção industrial nacional subiu 4,3%, oitavo resultado positivo seguido na base. No Estado, seis das treze áreas pesquisadas tiveram queda, que foi mais intensa nas indústrias extrativas (-10,3%), de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-12,9%) e alimentícias (-4,5%). 

Na passagem de novembro para dezembro, a produção industrial mineira avançou 0,2%. Apesar da variação positiva, o percentual foi inferior ao do indicador apurado para o Brasil, que apontou crescimento de 2,8%.

Fonte: Jornal Diário do Comércio