PRODUÇÃO INDUSTRIAL CRESCE 2% EM MINAS

A produção industrial de Minas Gerais avançou em setembro e fechou o mês com alta de 2,0% frente a agosto. O desempenho do setor no Estado ficou acima da média registrada para o País, de 0,5%, na série com ajuste sazonal, e foi o segundo melhor entre todas as outras 14 regiões pesquisadas, terminando atrás somente do Espírito Santo (+9%). Com queda de 3,3%, Goiás apresentou o pior resultado no período. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em todas as outras bases de comparação, os indicadores de Minas para o setor mostraram retração no nível da atividade em setembro. Apesar dos números negativos, foi observada uma perda da intensidade do recuo em praticamente todas elas. A supervisora de pesquisa econômica do IBGE Minas, Cláudia Pinelli, explica que isso, no entanto, ainda não é suficiente para afirmar que está havendo uma retomada da indústria no Estado.

“Ainda está muito cedo para fazer uma avaliação se este é um sinal de recuperação ou não da economia, porque como agosto foi de queda, após altas nos meses anteriores, pode ser que este seja um período de acomodação dos estoques. Então, teríamos de esperar um tempo maior para dizer se está havendo mesmo ou não uma recuperação sólida”, avalia Cláudia Pinelli.

Em relação a setembro de 2015, a produção da indústria mineira teve queda de 1,8%. O percentual, no entanto, foi o menor observado neste tipo de comparação desde setembro de 2014, quando atingiu -0,3%. Dos 13 segmentos pesquisados pelo IBGE, apenas cinco apresentaram redução na atividade. A indústria extrativa (-11,8%) foi um deles, sendo a que mais contribuiu para o resultado negativo. Em seguida, vieram os segmentos de produtos de fumo (-34,7%), minerais não-metálicos (-9,0%), produtos de metal (-9,7%) e máquinas e equipamentos (-15,5%).

Efeito Samarco – Desde o dia 5 de novembro do ano passado, o setor extrativo sente as consequências do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, na região Central. Sem as condições consideradas adequadas, a mineradora Samarco, que operava no local, está impedida de retomar a produção na região, o que tem influenciado significativamente nos números da indústria extrativa. “A economia mineira é altamente dependente do setor extrativo. Até hoje estamos sentindo a falta dessa produção da empresa em Mariana, que foi interrompida com o acidente”, explica a supervisora de pesquisa.

No acumulado de janeiro a setembro, a retração da indústria mineira foi de 6,9% frente ao mesmo período de 2015. Desta vez, nove das treze atividades tiveram produção menor, com destaque novamente para a indústria extrativa (-14,5%), veículos automotores, reboques e carrocerias (-17,2%), metalurgia (-4,9%), máquinas e equipamentos (-29,6%) e produtos de metal (-13,0%).

Nos últimos 12 meses, tendo ainda como base setembro, houve recuo de 7,5%, percentual que retrata, no entanto, uma redução na intensidade de queda se comparado com o resultado de agosto (-8,2%). Foram fundamentais para esse arrefecimento a alta da produção nos ramos de fabricação de produtos alimentícios (+5,7%) e fabricação de produtos do fumo (+0,4%).

Para o restante do ano, o desenrolar da produção industrial no Estado permanece em meio a um cenário de incertezas. “Normalmente, é uma época que se espera crescimento, mas não temos como saber se ele vai existir e se vai ser significativo. A gente vai ter de esperar para ver”, conclui Cláudia Pinelli. Fonte: Jornal Diário do Comércio