PESSIMISMO AUMENTA NA INDÚSTRIA MINEIRA

As incertezas quanto à economia brasileira e mineira e às próprias condições de negócios levaram a confiança dos empresários mineiros ao pior patamar em quase um ano. Foi o que revelou o Índice de Confiança do Empresário Industrial de Minas Gerais (Icei-MG) de julho. No mês, o índice chegou a 47,1 pontos, abaixo da linha dos 50 pontos e também inferior aos 47,5 pontos registrados em junho, indicando pessimismo por parte dos industriais.

A pesquisa é realizada mensalmente pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e avalia o nível de confiança dos empresários sobre as atuais condições e expectativas de negócios.

No geral, de acordo com o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe Nogueira, o Icei continuou a apontar falta de confiança por parte do empresário, no mês de julho, ainda refletindo os impactos da greve dos caminhoneiros e o avanço das incertezas políticas e econômicas do País.

“Percebe-se que a greve dos caminhoneiros, ocorrida no fim de maio, alterou a dinâmica de melhora do ambiente econômico nacional. Os impactos causados pelos onze dias de paralisação refletem não só no índice, mas na própria instabilidade do País. Situações extremas como a que vivemos naquele mês mostram a fragilidade do tecido econômico e social brasileiro e afetam todos os elos da cadeia produtiva nacional”, explicou.

O levantamento apontou que, em relação às condições atuais, o índice avançou 0,8 ponto na passagem de junho – quando foram registrados 41,2 pontos – para 42 pontos neste mês. Vale lembrar que, no mês passado, o indicador registrou a segunda maior queda mensal da série histórica, chegando a 8,5 pontos.

A pior avaliação foi na economia mineira, que marcou 37,2 pontos. Nesse quesito, Roscoe chama atenção para a situação fiscal do Estado, que não vai bem. Além disso, a percepção quanto à economia brasileira foi de 37,2 pontos e, em relação à empresa, de 44,8 pontos neste mês.

Na divisão por porte de empresas, as avaliações de condições atuais foram pessimistas em todos os casos. Os resultados foram de 34,2 pontos para as pequenas empresas, 39,9 pontos para as médias e 47 pontos para as de grande porte. Especificamente em relação ao próprio negócio, somente as grandes apresentaram otimismo quanto às condições atuais.

Expectativas – O estudo também mostrou que o indicador de expectativas, que sinaliza as perspectivas dos empresários para os próximos seis meses, apontou pessimismo sobre o futuro entre os empresários pela primeira vez desde julho de 2017. Ao todo, foram registrados 49,6 pontos. Somente no quesito empresa o indicador superou os 50 pontos, chegando a 53,6 pontos.

Para o dirigente, o indício não é bom. “Todo empresário investe com base na expectativa de futuro. O planejamento está diretamente ligado à economia e todo o crescimento da economia deriva desses investimentos. Funciona como um ciclo, e se a expectativa quanto aos próximos meses não é boa, não serão bons também os resultados”, alertou.

Assim, a expectativa dos industriais, quanto aos próximos seis meses, em relação à economia brasileira ficou em 42 pontos, em relação à economia mineira, em 40,2 pontos, e sobre a própria empresa foi de 53,6 pontos.

Quando considerado o porte de empresas, as expectativas foram negativas nas de pequeno e médio portes, com 46,4 pontos e 47,8 pontos, respectivamente. Já as grandes empresas apresentaram otimismo, com 52,1 pontos.

Prévia do ICI – O Índice de Confiança da Indústria (ICI) apurado na prévia da sondagem de julho teve um recuo de 0,5 ponto em relação ao resultado fechado de junho, para 99,6 pontos, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV), na sexta-feira (20).

O Índice de Expectativas (IE) recuou 4,3 pontos em julho, para 100,7 pontos. Já o Índice da Situação Atual (ISA) subiu 3,4 pontos em julho, para 98,5 pontos.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) da indústria indicou uma redução de 0,3 ponto percentual, passando de 76,2% no fechamento de junho, para 75,9% na prévia de julho.

A prévia dos resultados da Sondagem da Indústria abrange a consulta a 782 empresas feita entre os dias 2 e 18 de julho. O resultado final da pesquisa será divulgado no próximo dia 27. (Com informações da AE.) Fonte: Jornal Diário do Comércio