PESQUISA REALIZADA ONTEM PELA FIEMG MOSTRA RETRAÇÃO EM TODAS AS REGIÕES DO ESTADO

Embora a indústria do interior do Estado tenha registrado crescimentos pontuais em algumas regiões no início de 2016, os resultados voltaram a cair no mês passado, fazendo com que o faturamento do setor encerrasse o primeiro bimestre negativo. Entre janeiro e fevereiro, todas as regiões apresentaram queda no faturamento, com destaque para o Centro-Oeste, cuja baixa chegou a 26,1% e o Triângulo, na outra ponta, com o recuo menos intenso, de 2,3% sobre a mesma época do ano anterior.

Os dados são da Pesquisa Indicadores Industriais Regionais (Index-Regionais) da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e na avaliação da analista a economista da entidade, Anelise Fonseca, acompanham o cenário econômico vivido pelas indústrias mineira e nacional como um todo. Segundo ela, a expectativa para o setor neste exercício é de nova retração.

“Tudo indica que 2016 será um ano igualmente difícil. Mesmo se houver mudanças no governo, com a saída da presidente Dilma Rousseff, é pouco provável que vejamos algum impacto positivo ainda neste ano”, diz. O faturamento da indústria de Minas caiu 14,7% em fevereiro em relação ao mesmo período de 2015 e no acumulado do ano, a retração chegou a 17,3%.

Na análise por região, o Centro-Oeste teve destaque negativo, por ter apresentado a maior queda no acumulado do bimestre (-26,1%). Na comparação mensal a queda foi de 26,4%. No primeiro mês do ano a região havia apresentado estabilidade (-0,5%). Os demais indicadores também encerraram os dois primeiros meses do ano negativos. O nível de emprego caiu 18,1%, a massa salarial 12,1% e as horas trabalhadas 17,5%.

Anelise Fonseca destaca a influência da indústria metalúrgica na região. O setor acumulou baixa de 13,1% no primeiro bimestre deste ano sobre os primeiros dois meses do exercício anterior. O setor têxtil teve uma retração ainda maior: -16,7%. “O impacto da metalurgia é maior, pois o setor possui grande representatividade na indústria local e já não vem bem há mais tempo”, justifica.

O segundo pior resultado foi observado na Zona da Mata, onde o faturamento industrial retraiu 17,1% nos primeiros dois meses deste exercício, em consequência do resultado positivo em 2,2% em janeiro e negativo em 12,2% em fevereiro, sempre na comparação com o mesmo mês de 2015. Com isso, o nível de emprego acumulou baixa de 4,7%, a massa salarial de 1,1% e as horas trabalhadas de 0,6% nos primeiros dois meses de 2016 sobre os de 2015.

Logo depois, o Leste apareceu com faturamento negativo em 13,2% nos dois primeiros meses deste ano. Os resultados de janeiro e fevereiro também foram negativos: -11% e -19,5%, respectivamente. Desta maneira, o emprego na região acumulou retração de 21,6%, a massa salarial de 28,9% e as horas trabalhadas de 11,2%.

O Sul, por sua vez, registrou queda de 7,6% no resultado industrial no primeiro bimestre de 2016. Embora o setor na região tenha iniciado o ano com crescimento de 1,8% no faturamento, em fevereiro já foi observada queda de 2,4% sobre os mesmos meses de 2015.

Assim, o emprego na região decresceu 11,1% nos primeiros dois meses deste ano sobre a mesma época do ano passado. A massa salarial 6,1% e as horas trabalhadas 10,9%, no mesmo tipo de comparação. Em termos de setores, o de máquinas e materiais elétricos puxou o desempenho para baixo, com resultados -27,9% menores que no primeiro bimestre de 2015. Veículos automotores também contribuiu, com queda de 22% nas receitas, assim como minerais não metálicos (-15%).

Triângulo – Na outra ponta, o Triângulo Mineiro teve o menor recuo entre as regiões analisadas pela Fiemg: -2,3%. Conforme a analista e economista da federação, o motivo continua sendo a carona que o segmento de produtos químicos está pegando no agronegócio – único setor que ainda apresenta resultados positivos no Estado. O setor avançou 2,1% sobre a mesma época de 2015 na região.

Assim, o emprego industrial no Triângulo caiu 2,8% no bimestre, a massa salarial 11,9% e as horas trabalhadas ficaram positivas em 7,4%. Fonte: Jornal Diário do Comércio