PARALISAÇÃO GEROU PERDAS DE R$ 2,47 BILHÕES

A greve dos caminhoneiros gerou, só de imediato, um prejuízo de R$ 2,47 bilhões para a indústria mineira, além de R$ 530 milhões em Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) que deixaram de ser recolhidos pelo setor durante a paralisação do abastecimento no País.

Tudo isso, somado às medidas tomadas pelo governo federal a partir das negociações com os caminhoneiros, como o fim do Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra), a reoneração da folha de pagamento e o frete mínimo, além do aumento do custo da energia elétrica no Estado, levou a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) a rever, para baixo, suas projeções em relação à produção do parque estadual. Antes, a entidade previa um crescimento de 3,3% sobre 2017 e, agora, a estimativa é de uma queda de 1,5%. A previsão é de recuo de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado em 2018.

?O setor que pagou a conta (da greve dos caminhoneiros) foi a indústria. Tudo leva a crer que haverá perda de competitividade e isso coloca os empregos em risco?, afirmou o presidente da Fiemg, Flavio Roscoe, ontem, em entrevista coletiva com jornalistas, na sede da entidade, em Belo Horizonte.

De acordo com Roscoe, a indústria de Minas sofreu mais com a greve dos caminhoneiros do que a média do parque nacional. Isso aconteceu porque importantes segmentos industriais do Estado, como a indústria de alimentos e bebidas, a de veículos automotores, a metalurgia, a de coque e combustíveis e a de produtos de metal, apresentaram elevado índice de paralisação da produção durante o movimento grevista.

Além disso, o presidente da Fiemg ressaltou que a greve deve provocar, ainda, outros efeitos sobre o setor e sobre a economia. Entre eles, a pressão sobre preços, especialmente de alimentos, com impactos na inflação; inadimplência; elevação de juros no crédito para pessoa jurídica; desequilíbrio no caixa das empresas; redução dos investimentos; e queda das exportações.

?O grande setor perdedor nesse processo todo foi a indústria. Se a indústria é o setor com empregos mais qualificados, que gera mais renda, que paga mais tributos e, se ela perde dinâmica, quem vai perder é a sociedade?, reforçou o presidente da Fiemg, lembrando que a indústria é responsável por 48% da arrecadação de tributos e impostos em Minas Gerais.
Roscoe lamentou ainda a situação de empresas que já estavam enfrentando problemas de caixa. ?As empresas que já estavam em situação frágil estão com dificuldades ainda maiores. Foram dez dias sem faturar, mas com despesas em andamento. Quem já estava no limite do capital de giro, acabou extrapolando este limite. São milhares de micro e médias empresas nessa situação?, disse.

Medidas – Além dos problemas diretos causados pela paralisação dos caminhoneiros, algumas medidas tomadas pelo governo federal em atendimento aos pleitos da categoria prometem dificultar ainda mais a situação da indústria. A antecipação do fim do Reintegra de dezembro par o final do mês passado é uma, já que penaliza a competitividade da indústria no exterior.

Outra medida que pode empurrar o desempenho da indústria para baixo, principalmente no que se refere aos empregos, é a reoneração da folha de pagamento, já sancionada pelo presidente Michel Temer e que entra em vigor daqui a três meses. Nas contas da Fiemg, a medida atingirá 442,3 mil trabalhadores da indústria da transformação só em Minas, o que pode comprometer a recuperação do emprego no setor, conforme avaliaram economistas da entidade.

Outro problema que veio a somar para pressionar o parque mineiro foi o aumento do custo da energia elétrica dentro do Estado. Desde o último dia 28, os consumidores mineiros conectados à alta tensão, ou seja, grandes demandantes, como a indústria, passaram a pagar 35,56% mais caro na conta de luz. ?Não tenho dúvida que os impactos são desastrosos quando a energia elétrica sobe 35% em Minas e não sobe neste percentual em outros estados ou mesmo países. Vamos perder competitividade. A questão é complexa e quem perde é Minas Gerais?, avaliou Roscoe.

Questionado se todos esses impactos no parque poderiam acarretar, na ponta do consumo, em aumento de preços, Roscoe afirmou que é difícil fazer projeções. ?Quanto desse custo vai ser absorvido pela indústria e quanto vai ser repassado sem que haja fuga para produtos importados, não sei quantificar, mas com certeza haverá um impacto grande em empresas que já vinham com dificuldades?, pontuou.

Diante de todo este cenário, a Fiemg revisou sua projeção em relação a produção física do setor em Minas para este ano. Antes, a entidade previa um crescimento de 3,3% sobre 2017 e, agora, a estimativa é de uma queda de 1,5%. Para o PIB do Estado, a Fiemg passou sua previsão de uma alta de 2,6%, para baixa de 1,2%. A entidade manteve a projeção de crescimento de 2% para o faturamento do parque, por enquanto. Fonte: Jornal Diário do Comércio