NÍVEL DE ATIVIDADE RECUA EM MINAS, MAS HÁ OTIMISMO

A indústria mineira registrou queda no nível de atividade no quarto mês do ano, de acordo com a Sondagem Industrial, divulgada na sexta-feira (25) pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Na comparação entre abril e março, tanto a atividade produtiva quanto o nível de emprego apresentaram retração.

A produção das indústrias caiu 4,7 pontos no mês passado frente a março, ficando em 50,5 pontos, número ligeiramente acima da linha do otimismo, cujo referencial é de 50 pontos, em uma escala de 0 a 100. Na análise segmentada, somente o indicador das grandes empresas ficou acima dos 50 pontos, com 53,2 pontos. Já as empresas de pequeno e médio portes registraram 48,6 e 47,8 pontos, respectivamente.

De forma semelhante, o indicador de evolução do emprego atingiu 47,9 pontos, apontando queda na força de trabalho, uma vez que ficou abaixo dos 50 pontos. Neste caso, o índice diminuiu 0,8 ponto frente ao mês anterior. Vale destacar que o indicador aponta queda no emprego desde maio de 2013, ao permanecer abaixo de 50 pontos.

O índice de utilização da capacidade instalada efetiva em relação à usual também caiu, passando de 43,5 pontos, em março, para 43,1 pontos, em abril. No entanto, esse foi o melhor indicador para o quarto mês do exercício desde 2013 (44,2 pontos).

Ainda assim, o índice de evolução dos estoques finais registrou valor próximo de 50 pontos (50,4 pontos), o que mostra que os volumes mantiveram-se praticamente inalterados no mês. O indicador de estoque efetivo em relação ao planejado marcou 52,1 pontos em abril. O resultado sinaliza que, mesmo com a estabilidade nos estoques finais, houve acúmulo indesejado nas indústrias.

Dessa maneira, na avaliação da economista da Fiemg, Daniela Muniz, ainda é possível observar certa dificuldade no desempenho da indústria, comportamento típico de uma economia em recuperação. Porém, segundo ela, ao considerar dados anteriores, percebe-se uma melhora gradual do cenário.

Ainda vemos uma grande oscilação nos resultados. Chegamos a ter uma melhora mais consistente, mas agora os indicadores voltaram a patinar. Tudo isso dificulta uma recuperação mais vigorosa?, analisou.

Expectativas – Ainda segundo a economista, as expectativas para os próximos seis meses demonstram certo otimismo por parte dos empresários. Em maio, o índice de expectativa de demanda sinalizou que eles esperam aumento da procura por seus produtos no curto prazo, com 57 pontos. O indicador ficou relativamente estável frente ao apurado em abril (57,2 pontos) e cresceu 2,3 pontos em relação a maio de 2017, registrando o maior nível para o mês em cinco anos.

O indicador de expectativa de compra de matéria-prima cresceu 0,9 ponto ante abril e atingiu 54,8 pontos em maio. O resultado foi 3,8 pontos superior ao de maio de 2017 e o melhor para o mês em cinco anos.

Já o índice de perspectiva de evolução do número de empregados chegou a 51,1 pontos neste mês, sinalizando que os empresários pretendem contratar nos próximos seis meses. Esse é o terceiro mês de 2018 que o indicador apresenta expectativa de aumento no emprego, após quase quatro anos apontando perspectiva de recuo no número de empregados.

As expectativas estão variando, refletindo a perda de fôlego da economia, mas, mesmo assim, ficaram acima dos 50 pontos, indicando certo otimismo da categoria?, ponderou.

Receio – Para Daniela Muniz, dois fatores justificam este cenário: a perda de ritmo da recuperação econômica e o quadro eleitoral ainda incerto. ?Todos os indicadores estão aquém do que esperávamos. Além disso, as pessoas ainda estão com receio de planejar qualquer investimento, em virtude das incertezas sobre futuro presidente do Brasil?, disse.
O índice de intenção de investimento cresceu 3,5 pontos entre abril e maio (53,2 pontos).

Com o aumento, o indicador ficou 8,2 pontos acima da sua média histórica (45 pontos). A série teve início em novembro de 2013, quando atingiu seu maior nível (57,8 pontos). Fonte: Jornal Diário do Comércio