ISOPOR SE DEGRADA MAIS RÁPIDO DO QUE A CIÊNCIA PENSAVA, DIZ ESTUDO

Um dos principais componentes da poluição oceânica é menos devastador e mais administrável do que se pensava, de acordo com uma equipe da Instituição Oceanográfica Woods Hole, em Cape Cod, Massachusetts, e do Massachusetts Institute of Technology. Estudos anteriores estimavam que o poliestireno, tipo de plástico onipresente encontrado no lixo, poderia levar milhares de anos para se desintegrar. Mas, em um novo estudo, cinco cientistas descobriram que a luz do sol acelera a degradação do poliestireno em séculos, ou mesmo décadas.

“Quando pensamos em políticas ambientais, costumamos supor que o poliestireno dura para sempre”, disse Collin P. Ward, químico marinho do Instituto Woods Hole e principal autor do estudo. O poliestireno, componente que frequentemente é chamado de isopor, é usado na fabricação de copos, canudos, talheres de plástico, embalagens e muitos outros artigos descartáveis de uso diário, que chegam ao lixo às toneladas.

Boa parte desse material vai parar no oceano. Estima-se que uma vasta massa rodopiante de lixo conhecida como Grande Ilha de Lixo do Pacífico, situada entre o Havaí e a Califórnia, ocupe uma área de aproximadamente 700 mil quilômetros quadrados. Muitos países, empresas, grupos e institutos oceânicos, bem como programas das Nações Unidas, trabalharam para proibir o uso de artigos descartáveis e aplicar regras mais rigorosas ao lixo gerado por eles.

“Não estamos dizendo que a preocupação é exagerada, nem as medidas anunciadas”, disse o químico marinho Christopher M. Reddy, do Instituto Woods Hole, também autor do estudo. “Simplesmente temos novos dados significativos para enriquecer o debate.” O estudo demonstrou que a luz do sol, conhecida pelo efeito degradante nos plásticos, decompõe o poliestireno em unidades químicas de carbono orgânico, que se dissolvem na água do mar, e em dióxido de carbono, embora em volumes pequenos demais para afetar a mudança climática. Ao fim desse processo, o plástico praticamente desaparece do meio ambiente.

No estudo, os pesquisadores descreveram como suas técnicas produziam “as primeiras provas concretas” do efeito da luz do sol decompondo o poliestireno em blocos químicos elementares. Estudos anteriores se dedicaram principalmente ao efeito degradante de micróbios.

O estudo também revelou que aditivos usados no poliestireno, que podem determinar sua cor, flexibilidade e outras características físicas, podem acelerar ou retardar a decomposição. No estudo, os autores destacaram que as novas formas identificadas para a decomposição do poliestireno “devem ser incorporadas aos modelos do destino global” do plástico, ajudando na formulação de políticas. Nenhum dos inventários atuais “leva em conta a decomposição”, destacou Ward.

Ele e Reddy indicaram que a nova descoberta pode ajudar a solucionar um dos mistérios mais curiosos da poluição oceânica: o fato de não ser possível identificar mais de 99% do plástico que deveria estar ali. Expedições que saíram especificamente em busca de evidências da massa de plástico encontraram resultados muito abaixo do esperado. Ward disse que, com o tempo, a busca cada vez mais intensa pelo produto da decomposição do poliestireno e outros tipos de poluição oceânica pode permitir que os cientistas “acertem as contas”. Fonte:  William J. Broad, The New York Times 29 de outubro de 2019 | 06h00/tradução de Augusto Callil.