INFLAÇÃO A LA BRASKEM ASSUSTA A INDÚSTRIA

Fora dos quintais dos ministros da área econômica e do presidente do Banco Central, não tem sido fácil encontrar quem comemore, como eles, a inflação baixa no Brasil. Participantes ativas de um segmento que é considerado termômetro da economia, a fabricação de embalagens, as indústrias de material plástico de Minas Gerais foram surpreendidas neste ano com reajustes de preços de 8% a 20% das resinas usadas como matéria-prima, em grande parte concentradas nas mãos de um único fornecedor, a petroquímica Braskem.

O repasse já efetuado desde janeiro não deve demorar a chegar aos bolsos dos brasileiros, devido à pressão que provoca na despesa com a sacaria que envolve os alimentos vendidos nos sacolões e nos supermercados, além das sacolinhas para o cliente levar as compras. Difíceis de aceitar, num cenário de recuperação ainda tímida da economia brasileira, as remarcações estão sendo questionadas pelo Sindicato das Indústrias de Material Plástico de Minas Gerais (Simplast).

Sabrina Rodrigues de Carvalho, presidente do Simplast, afirma que os reajustes de 2018 não têm precedente nos últimos seis anos. Se não fosse o bastante corrigir os preços da matéria-prima à base de percentuais tão superiores à inflação e num momento tradicionalmente de demanda fraca à indústria, as empresas sequer receberam justificativa para os aumentos.

“Não é fácil repassar preços quando o nosso cliente não vê o que está ocorrendo. Ficamos às cegas. Falta um comunicado formal da petroquímica para que a gente possa explicar ao mercado o que está havendo”, diz Sabrina Carvalho. No histórico das relações com o fornecedor, o setor não vinha registrando repasses acima de 10%. Outro problema para absorver e repassar aumentos de preços está no perfil da indústria não só mineira, como também brasileira, de material plástico, representado em cerca de 72% por microempresas.

Os gastos com os termoplásticos costuma variar de 60% a 80% do custo total nas fábricas de material plástico. “O que podíamos segurar do reajuste, já o fizemos. Aparentemente, a previsão é de que vamos receber mais aumentos de preços em abril e maio”, reclama Sabrina Carvalho.

Procurada, a Braskem não informou sobre os reajustes aplicados em 2017 e neste ano e nem atendeu ao pedido da indústria para que apresente a justificativa do repasse. Em nota, a empresa limitou-se a dizer que sua política comercial “não teve alterações nos últimos anos”. “Ela sempre seguiu a relação das referências internacionais de preços nos principais mercados de resinas e do câmbio”, diz a nota.

A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) admite a justificativa da influência do aumento dos preços do petróleo sobre o plástico, embora questione que a recessão brasileira destoou do comportamento da economia mundial, o que torna inoportunos os repasses de preços. No setor de transformados de plásticos, as vendas sofreram retração ao redor de 20% entre 2014 e 2016, segundo a entidade. “As empresas de transformados plásticos estão sujeitas a um mercado extremamente concorrencial, o que dificulta sobremaneira as negociações com seus clientes – os quais não têm aceitado novas condições de custo”, destaca a Abiplast. Para Sabrina Carvalho, do Simplast, a despeito de uma justificativa, o fornecedor deve raciocinar sobre a proporção dos reajustes, o momento de aplicá-los e na razão da existência deles. Fonte: Jornal Estado de Minas – Coluna Marta Vieira – 14/03/2018