Indústria sinaliza recuperação em Minas Gerais

A indústria mineira iniciou 2017 ainda apresentando recuo nos principais indicadores do nível de atividade, como produção, emprego e utilização da capacidade instalada (UCI). No entanto, a evolução observada nos índices em janeiro na comparação com igual período de 2016 já parece suficiente para dar ânimo ao setor. De acordo com a pesquisa Sondagem Industrial, elaborada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), os números sinalizam a proximidade de um novo ciclo de crescimento.

Em janeiro, o indicador de produção da indústria estadual registrou 43,2 pontos. Apesar de abaixo da linha dos 50 pontos, o que mostra retração da atividade, quando confrontado com o mesmo mês de 2016, o índice teve alta de 5,7 pontos. Na comparação com dezembro, o crescimento foi de 4,0 pontos. Já o nível de emprego fechou o primeiro mês do ano em 45,9 pontos, contra 39,9 pontos em janeiro do ano passado.

A UCI foi a que apresentou a maior melhora no mesmo intervalo, com incremento de 9,1 pontos em um ano. Ela encerrou o último mês em 37,9 pontos. “A atividade industrial em janeiro deste ano está bem melhor do que há um ano em função das empresas estarem conseguindo ajustar os níveis de estoque e com a utilização da capacidade instalada perto do usual. São sinais de que os indicadores estão se aproximando deste novo ciclo de crescimento”, pondera a economista da Fiemg, Annelise Fonseca.

Em relação aos estoques, o indicador de janeiro, de 50,6 pontos, mostra a indústria mineira com um nível adequado aos objetivos das empresas. Na análise segmentada por portes, no entanto, as pequenas (47,3 pontos) e médias (46,9 pontos) indústrias ainda verificam estoques abaixo do planejado. Na contramão, aparecem as grandes empresas – 54,6 pontos -, com níveis acima do previsto.

Demanda – A melhora dos índices, de modo geral, reflete nas expectativas dos empresários, que já projetam um futuro mais favorável à indústria do Estado. Em fevereiro, os gestores demonstraram uma perspectiva pelo aumento da procura por seus produtos nos próximos seis meses (53,9 pontos). O indicador foi o maior desde agosto passado. Empresas de todos os portes estão confiantes na expansão da demanda.

O otimismo também é observado no que diz respeito às exportações, cujo índice de expectativa registrado foi de 53,5 pontos. Para o setor, as vendas ao mercado externo devem crescer nos próximos meses. De olho nessa expansão, os empresários já se colocam, inclusive, mais propensos a investir. Em fevereiro, a intenção em realizar inversões no negócio ficou em 48,2 pontos, sendo a maior desde abril de 2014, quando atingiu 50,2 pontos. Annelise Fonseca avalia que a evolução da confiança da indústria é uma das principais responsáveis por esse resultado.

“Um dos fatores que colabora para incentivar os investimentos é realmente essa retomada da confiança da indústria, que vem acontecendo em função das políticas adotadas pelo governo. O ambiente está trazendo mais segurança para os empresários. Não é só a inflação mais baixa, como também o corte dos juros e as medidas que estão em andamento no Congresso”, destaca.

Empregos – O emprego deve permanecer como a grande dor de cabeça da economia mineira e nacional nos próximos meses. Mesmo falando no futuro, as empresas aguardam por mais demissões, como apontam os 47,4 pontos do índice de fevereiro. “O emprego vai ser o último indicador a mostrar recuperação, apesar de estar sinalizando certa estabilidade da queda e de ter melhorado neste mês. A recuperação dele é mesmo mais lenta e ainda há uma ociosidade muito grande na indústria”, diz a economista da Fiemg. Fonte: Diário do Comércio.