INDÚSTRIA MINEIRA SUSPENDE SEQUÊNCIA DE CRESCIMENTO

O parque produtivo mineiro encerrou fevereiro com queda no faturamento, interrompendo a sequência de resultados positivos observada desde dezembro do ano passado. A retração foi de 4,5% sobre o mês anterior, na série com ajuste sazonal. Os demais índices também registraram recuo na mesma base de comparação, contudo, na análise do primeiro bimestre em relação ao mesmo período de 2017, houve avanço não somente do faturamento, mas também da massa salarial, do rendimento médio e da utilização da capacidade instalada (UCI). Por outro lado, as horas trabalhadas na produção e o emprego caíram.

Os dados são da pesquisa Indicadores Industriais (Index) realizada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e indicam uma ligeira recuperação do parque industrial estadual.

“Mesmo com alguns dos índices apresentando queda, especialmente o faturamento, quando analisamos um período maior, continuamos observando um ligeiro movimento de recuperação. É possível que esses recuos de fevereiro tenham sido pontuais e que nos próximos meses voltemos a registrar avanços nos indicadores”, afirmou a economista da entidade, Anelise Fonseca.

Segundo ela, embora o levantamento não divulgue mais os desempenhos por setor, o desempenho da indústria em Minas está sendo puxado, nos últimos meses, pelo setor automotivo. “Algumas atividades como o setor automotivo já começam a apresentar recuperação, enquanto outros estão reagindo de forma mais lenta”, explicou.

De acordo com a pesquisa, quanto ao faturamento, em fevereiro, houve recuo de 4,5% frente a janeiro, retirados os efeitos sazonais. Na comparação com o mesmo mês de 2017, no entanto, o índice cresceu 2,8% e, no primeiro bimestre, avançou 4,8% sempre em relação ao ano anterior. Além disso, a taxa de crescimento acumulada em 12 meses manteve-se positiva (2,9%) pelo quarto mês seguido, após quase quatro anos em patamar negativo.

As horas trabalhadas caíram pelo segundo mês seguido, com recuo de 0,5% em fevereiro, ante janeiro. O indicador também registrou quedas de 3% em relação a fevereiro de 2017, e de 1,7%, tanto no primeiro bimestre quanto no acumulado dos últimos 12 meses.

Postos de trabalho – O emprego ficou estável em fevereiro na comparação com janeiro. Desde agosto de 2017 não são verificadas quedas na variável na comparação mensal. Por outro lado, o índice segue 1,6% abaixo do registrado em fevereiro de 2017, mesma variação observada no primeiro bimestre em relação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado dos últimos 12 meses, o indicador caiu 4,3%.

Já a massa salarial diminuiu 0,6% entre janeiro e fevereiro. Em relação ao segundo mês do exercício passado, o índice também caiu 0,3%. No entanto, a retração foi a menor para o mês em quatro anos. No primeiro bimestre houve crescimento de 1,1% e no acumulado dos últimos 12 meses, de 0,9%.

O rendimento médio recuou 1,6% na passagem do primeiro mês de 2018 para o segundo. Em relação a fevereiro de 2017, o indicador foi 1,4% maior. No primeiro bimestre, o índice acumulou aumento de 2,8% em relação ao mesmo período de 2017. Na análise dos últimos 12 meses, a variável registrou crescimento de 5,3%.

Por fim, a utilização da capacidade instalada chegou a 79,1% em fevereiro, queda de 0,3 ponto percentual sobre janeiro. No primeiro bimestre, a UCI média (78,6%) foi 1,8 ponto percentual superior à registrada no mesmo período do exercício anterior (76,8%). De toda forma, a UCI permanece abaixo de sua média histórica de 83,2%. Fonte: Jornal Diário do Comércio