INDÚSTRIA MINEIRA FECHARÁ ANO COM 3ª QUEDA SEGUIDA

Após encerrar 2015 com queda de 15,93% na receita na comparação com 2014, a indústria de Minas Gerais prevê fechar 2016 com retração de 12,97% no faturamento. Trata-se da terceira queda consecutiva do parque industrial mineiro, uma vez que em 2014 também foi registrado recuo, neste caso, de 6,27% sobre o exercício anterior. Com o resultado, a indústria do Estado acumula baixa de 35,17% nos últimos três exercícios.

De acordo com o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Olavo Machado Junior, quanto maior o recuo, mais demorada a recuperação, por isso o parque fabril do Estado poderá demorar ainda mais a reverter o quadro negativo.
“Minas é um dos primeiros estados a sentir um cenário de crise e, por outro lado, um dos primeiros a reagir também. A retomada dos patamares anteriores à recessão econômica dependerá, principalmente, do ritmo de reaquecimento apresentado pelas indústrias a partir do ano que vem”, explicou o presidente da Fiemg.

Apesar do cenário ainda adverso, a entidade já adota um tom de otimismo conservador para 2017, projetando um crescimento das receitas em 0,96% sobre o atual exercício. De qualquer maneira, tanto o presidente quanto o economista-chefe da entidade, Guilherme Velloso Leão, ponderam que isso dependerá também do panorama político brasileiro.

“Tudo indica que a indústria terá condições melhores de desempenho a partir do segundo semestre do próximo ano, por uma série de fatores, como redução do desemprego, retomada da confiança do empresário e do consumidor, queda da inflação e dos juros e recuperação dos investimentos. A única variável que poderá interferir negativamente nesta previsão é justamente o cenário político”, avaliou o economista.

Ainda em relação ao atual exercício, Leão destacou que a produção industrial mineira deverá encerrar 2016 com recuo de 6,95% sobre o ano anterior. Em 2015, a retração foi de 7,6% e em 2014 de 2,02% sempre em relação ao exercício anterior. “Com estes números, voltamos aos patamares de 2009, ou seja, há cerca de sete anos”, disse.

Investimentos – O mesmo tem ocorrido com os níveis de investimentos, o que, segundo o economista-chefe da Fiemg, é ainda mais preocupante, uma vez que aprofunda a crise e as perdas do parque industrial. “Três anos de baixa em aportes é sinônimo de falta de renovação e ampliação de máquinas e equipamentos. Com isso, o ambiente começa a ficar obsoleto e prejudica a competitividade. Isso vale para pessoa física, empresas e o próprio governo”, ressaltou.

Em relação a 2017, que além do avanço de 0,96% no faturamento industrial, contempla aumento de 0,88% na produção da indústria, o presidente do Conselho de Política Econômica e Industrial da entidade, Lincoln Gonçalves Fernandes, revelou que o próximo exercício promete grandes desafios.

“O cenário deste exercício não foi confortável e aponta para um processo de recuperação lenta. Nós ainda estamos enfrentando um processo de ajuste fiscal, que não trará efeitos imediatos, mas a expectativa é que com as recentes medidas do governo, tenhamos um 2017 melhor”, adiantou.

Conforme Fernandes, o governo está ciente da agenda de crescimento que se faz necessária ao País, que engloba grandes vetores como concessões, exportações e incentivo à inovação. “O País precisa estar atualizado com o momento do mundo. Isso é fundamental. E, para isso é necessário um ambiente de negócios adequado com marcos regulatórios, segurança jurídica e ambiente político estável”, observou.