INDÚSTRIA MINEIRA EM LENTA RECUPERAÇÃO

O faturamento da indústria mineira aumentou 2,8% em setembro frente agosto, em dados dessazonalizados. Em relação ao mesmo mês do ano passado, o giro financeiro do setor também registrou avanço, de 3,8%. Este foi o terceiro crescimento seguido da receita do parque produtivo na comparação com igual mês do ano anterior, o que, para a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), indica uma tendência de recuperação, porém lenta. Os dados são da Pesquisa Indicadores Industriais (Index), divulgada ontem pela entidade.

“É um crescimento pequeno, mas, dada a situação do País, podemos considerar o resultado bom. Além disso, é o terceiro mês consecutivo com crescimento no faturamento do setor (em relação ao mesmo mês de 2016) e isso mostra uma tendência de recuperação, mas ainda muito lenta”, afirmou o presidente do Conselho de Política Econômica e Industrial da Fiemg, Lincoln Gonçalves Fernandes.

Ainda assim, no acumulado deste ano até setembro, a receita da indústria mineira continua negativa em relação aos mesmos meses de 2016, com queda de 0,5%. Nos últimos 12 meses, encerrados em setembro de 2017, a retração do faturamento é de 3,4%, conforme as informações da pesquisa da Fiemg. Estes indicadores vêm melhorando nos últimos meses, apesar de ainda estarem negativos.

O nível de emprego do parque industrial mineiro também cresceu. Na comparação de setembro com agosto deste ano, o aumento foi de 0,7%, mas frente o mesmo mês de 2016, houve queda de 2,5%. No acumulado até setembro contra igual intervalo do exercício passado, a redução foi de 5,5%. Nos últimos 12 meses, a indústria acumula uma retração de 5,2% na sua força de trabalho.

Fernandes explicou que, no ano passado, a indústria vinha apresentando sucessivas quedas de faturamento mês a mês, mas essas quedas não eram caracterizadas no nível de emprego. “O empresário mineiro estava tentando segurar pessoal, esperando uma retomada, porque demitir e recontratar tem um custo caro. Como a crise foi longa, não teve como segurar o emprego e, por isso, os indicadores de emprego neste ano estão piores que os de receita”, argumentou.

Mesmo com números ruins neste ano, o presidente do Conselho de Política Econômica e Industrial da Fiemg observou que o nível de emprego do setor passa por um processo gradual de melhora, o que, segundo ele, pode ser apurado através do crescimento no indicador de setembro contra agosto (alta de 0,7%).

O indicador horas trabalhadas na produção da indústria mineira, que reflete a produtividade do trabalhador no chão de fábrica, fechou setembro com queda de 0,3% frente agosto e retração de 2,5% sobre o mesmo mês de 2016. No acumulado do ano até setembro na comparação com o mesmo período do exercício passado, a baixa é de 5,5%.

A massa salarial em setembro caiu 0,2% em relação a agosto, mas aumentou 0,8% em relação ao mesmo mês de 2016. Nos mesmos confrontos, o rendimento médio recuou 0,1%, mas cresceu 5,4%, respectivamente, com base nas informações do Index.

Investimentos – A utilização da capacidade instalada do parque, cuja média histórica desde janeiro de 2003 é de 83,3%, fechou setembro em 78,2%, em dados dessasonalizados, praticamente estável em relação a agosto. No acumulado dos nove meses do ano, o índice foi de 78,1%, 0,9 ponto percentual abaixo do mesmo período de 2016 (79%).

Para Fernandes, o índice de utilização da capacidade do parque abaixo da média histórica significa que, antes de investir em novos projetos ou ampliações, a indústria deve preencher a capacidade ociosa. Por isso, a projeção é de que os aportes do setor só ganhem força a partir de 2019. Fonte: Jornal Diário do Comércio