INDÚSTRIA MINEIRA DEVERÁ INVESTIR MENOS

A indústria mineira pretende investir menos em 2016. A constatação faz parte da pesquisa “Investimentos na Indústria”, divulgada ontem pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). O levantamento mostrou que 57% dos empresários têm a intenção de fazer inversões neste ano, o menor percentual registrado desde o início da série histórica da pesquisa, em 2010. A ociosidade elevada e a incerteza econômica estão entre os principais motivos da insegurança do setor, cujos investimentos têm caído nos últimos anos. Em 2015, a projeção havia sido de 64%.

Mesmo entre os empresários que afirmaram ter planos de promover melhorias nos seus negócios, é possível identificar o sentimento de desconfiança. A maior parte dos investimentos para este ano, de acordo com a pesquisa, será voltada para a continuidade de projetos anteriores (61,7%) e apenas 38,3% terá foco em novos projetos. Os principais objetivos das empresas são melhorar os processos produtivos (39%) e manter a capacidade produtiva (22%). A introdução de novos produtos aparece à margem das prioridades, com apenas 14% das intenções frente a 23% no ano anterior.

“Dentro deste ambiente de incertezas, dificilmente uma empresa vai arriscar na criação de novos produtos, que demanda um investimento mais alto. O empresário, neste momento, vai priorizar mesmo um melhor desempenho dos processos”, destaca a economista da Fiemg Annelise Rodrigues Fonseca.

Desde 2010, o percentual de intenção de investimentos dos empresários da indústria mineira vem reduzindo gradativamente. Para a economista da Fiemg, fatores como as crises econômica e política nacionais e o desaquecimento da atividade industrial, além do alto nível de desemprego, contribuíram muito para o desestímulo do empresário, que não vê o momento como propício para despender recursos.

Demanda baixa – Entre as principais razões apontadas pelas empresas que não pretendem investir em 2016, a “ociosidade elevada” foi disparadamente a mais citada (91%), seguida da “incerteza econômica” (35%) e do “custo do crédito/financiamento” e das “dificuldades tecnológicas”, ambos com 16%. “A falta de demanda por parte dos consumidores tem feito com que as empresas diminuam a produção e o parque industrial está ocioso. Então, não faz sentido investir na indústria sendo que não há essa procura. Neste ano, os empresários esperam uma redução maior da demanda, do emprego, e nesse cenário não têm como investir”, avalia Annelise Fonseca.

A economista lembra, porém, que, diante da instabilidade da economia brasileira, a intenção pode mudar, mas isso vai depender de como o mercado vai se comportar. “Como o índice de confiança está baixo, é preciso um motivo para que haja otimismo, e para que isso ocorra seria necessária a construção de um ambiente institucional com um Estado eficiente e uma política econômica transparente e sustentável”, avalia.

Em 2015, 66% das indústrias no Estado fizeram investimentos, o que também representou o menor percentual para o indicador desde o início da série. No ano anterior, esse número havia sido de 67,1%. Dentre as empresas que apostaram em melhorias, 76,3% das inversões foram na continuação de projetos já existentes e somente 23,7% em novos projetos.

O investimento em melhoria do processo produtivo (47,6%) foi o principal objetivo dos empresários em 2015, que também focaram na manutenção da capacidade produtiva (19%) e no aumento da capacidade da linha atual (14,3%). As inversões no ano passado foram feitas, na maioria, por meio de recursos próprios (79,7%). Fonte: Jornal Diário do Comércio.