INDÚSTRIA: FATURAMENTO DEVE FICAR ACIMA DO ESPERADO

 

Após o faturamento do setor industrial apresentar, no acumulado de janeiro a outubro, o primeiro resultado positivo desde 2014, chegando a 0,9% sobre igual período do ano passado, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) vai revisar, mais uma vez, as projeções para o encerramento de 2017. Embora não tenha revelado o índice, até então estimado em 0,2% em relação a 2016, o crescimento deverá ser alterado para cima.

A divulgação ocorrerá no próximo dia 21, quando a federação apresentará um balanço sobre o desempenho do parque industrial do Estado no decorrer deste exercício. Mas, de acordo com o presidente do Conselho de Política Econômica e Industrial da Fiemg, Lincoln Gonçalves Fernandes, já é possível afirmar que, no geral, o setor apresentou uma recuperação lenta, porém, consistente.

“Nas comparações mensais observamos uma oscilação nos resultados, devido não somente ao cenário econômico de crise, mas também às bases de comparação diferentes, em virtude do comportamento em 2016. Já nos números do acumulado do ano, podemos perceber a confirmação da tendência de uma recuperação, uma vez que de janeiro a outubro tivemos o primeiro resultado positivo dos últimos quatro anos”, ressaltou.

Para 2018, conforme Fernandes, as expectativas são ainda melhores. Conforme ele, o cenário deverá proporcionar uma recuperação ainda mais robusta para a indústria nacional e mineira, chegando também aos demais índices analisados pela Pesquisa Indicadores Industriais (Index), tais como horas trabalhadas, emprego, massa salarial, rendimento médio real e utilização da capacidade instalada.

“Uns apresentarão melhora depois de outros, porque existe uma ordem a ser seguida. Os níveis de emprego, por exemplo, como demoraram mais a cair no ano passado, neste exercício deverão demorar um pouco mais a recuperar. Antes, as empresas precisarão reaver seus níveis de produtividade”, explicou.

Os níveis de utilização da capacidade instalada na indústria, segundo o dirigente, demorarão ainda mais. Isso porque o patamar de ociosidade nas fábricas mineiras está bastante elevado, o que retardará, por consequência, a retomada dos investimentos.
Além disso, o presidente do conselho da Fiemg salientou que algumas empresas de uma mesma atividade também poderão apresentar ritmos diferentes de crescimento, dado o tamanho das perdas durante a crise e o market share que restou. “Isso poderá ocorrer em setores como sucroalcooleiro, alimentos e farmacêutico”, exemplificou.

Desempenho – Em relação ao desempenho no mês de outubro, de acordo com o Index, faturamento, emprego e utilização da capacidade instalada aumentaram em outubro frente a setembro. Neste caso, a economista da Fiemg Daniela Muniz destacou o fato de as duas primeiras variáveis terem apresentado o segundo resultado consecutivo, ao passo que as horas trabalhadas na produção, a massa salarial e o rendimento médio recuaram no mês.

“De maneira geral, os números foram puxados pela indústria extrativa e o setor automotivo. A primeira tem apresentado melhora em função da recuperação dos preços no mercado internacional e o segundo, aumento nas vendas nos mercados interno e externo”, detalhou.

Já no acumulado do ano até outubro, o faturamento avançou 0,9%, enquanto a massa salarial e o rendimento médio real também mostraram resultados positivos, influenciados pela queda na inflação. Embora apontem recuo de janeiro até o décimo mês de 2017, as horas trabalhadas na produção e o emprego vêm apresentando reduções cada vez menos intensas ao longo do ano.

De acordo com a pesquisa, o incremento nas receitas da indústria chegou a 0,9% no décimo mês de 2017 sobre setembro. Na comparação com igual período de 2016 a alta foi de 13,2%. Já no acumulado dos últimos 12 meses, o faturamento ainda permaneceu negativo em 0,5%. Fonte: Jornal Diário do Comércio