INDÚSTRIA ESTÁ PRONTA PARA RETOMADA

Diante da crise econômica, um longo período sem investimentos e grande ociosidade, a indústria estaria pronta e apta para acompanhar o País em caso de uma retomada do crescimento econômico. A avaliação foi feita pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

“A indústria está razoavelmente preparada se a economia voltar a crescer. Tivemos um longo período de desinvestimento, com formação bruta de capital fixo, ou seja, máquinas e equipamentos depreciando, mas isso não significa que eles estão estragados”, argumenta o gerente de economia da Fiemg, Guilherme Leão.

Outro aspecto a favor da indústria em caso de retomada da economia é que o setor opera hoje com alto índice de ociosidade. “Isso significa que a possibilidade de crescimento da indústria e de atendimento de encomendas com um eventual reaquecimento da economia, sem necessidade de investimento em capital físico é grande e isso retira a pressão dos preços”, explica Leão.

Em relação à redução de postos de trabalho do parque produtivo, o gerente de economia da Fiemg acredita que essa mão de obra “perdida” ao longo dos últimos dois anos está disponível no mercado e poderia ser reaproveitada e reciclada, sem risco de perda de qualidade no chão de fábrica.

Capital de giro – Porém, há uma questão que preocupa o setor: capital de giro. “Da mesma forma que as famílias, as indústrias também estão com endividamento alto e retomar a atividade implica em capital de giro. Por conta disso, acredito que a retomada da atividade deve ser gradual, de forma que as empresas obtenham capital de giro para atender aos pedidos em carteira. Mas isso é um indicativo que a retomada será lenta, mas não um é empecilho”, pondera o economista.

O presidente da Abimaq, João Carlos Marchesan, tem uma opinião parecida. “Hoje, o setor trabalha com ociosidade de 45%. Mesmo que a economia se recupere, teremos pelo menos dois anos sem investimentos para preencher a capacidade ociosa e só depois disso voltar a investir”, avalia.

Segundo ele, a indústria de bens de capital, composto por cerca de 7,5 mil fabricantes de máquinas e equipamentos, há três anos acumula queda de 60% no faturamento. Com esse número em mãos, o setor propôs ao governo uma espécie de transição para a retomada da atividade.

Conforme Marchesan, o governo começou a dar alguns sinais de adoção de algumas medidas que podem ajudar a indústria de bens de capital e o setor como um todo. Entre esses indicativos, o presidente da Abimaq citou a aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) dos gastos públicos, a proposta de reforma da Previdência e as medidas anunciadas na última quinta-feira que mudam a legislação trabalhista. Fonte: Jornal Diário do Comércio