INDICADOR DE PRODUÇÃO TEM LIGEIRA QUEDA

Na ponta do lápis, os resultados deixaram a desejar. Pesquisa Sondagem Industrial da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) mostra que, em julho, os níveis de produção e emprego das empresas mineiras registraram queda e interromperam a sequência de melhora gradativa que vinha sendo observada pelo setor. A piora, porém, não alterou a esperança de uma retomada da economia, cada vez maior entre os empresários. As expectativas dos dirigentes quanto à demanda, medidas em agosto, cresceram novamente e o indicador fechou em 54,1 pontos, assinalando, pelo segundo mês consecutivo, a confiança do setor em um aumento da procura por seus produtos.

Julho acabou sendo um “balde de água fria” para a indústria mineira, que aguardava uma arrancada da atividade já no início do segundo semestre. O indicador de produção, que vinha em evolução, encerrou o mês com 45,6 pontos, abaixo dos 47,9 pontos de junho, e se distanciou dos 50 pontos, a partir dos quais sinalizaria crescimento. Todos os portes de empresas pesquisados acompanharam o recuo do índice.

O desempenho aquém também foi registrado no nível de emprego, cujo indicador foi de 43,8 pontos em julho. As empresas mais afetadas com a retração nas vagas foram as de médio (43,5 pontos) e grande porte (43,8 pontos). Já as pequenas apresentaram ligeira melhora, com o índice de 44,2 pontos, valor 0,3 ponto maior que o de junho. A utilização da capacidade instalada, apesar de se recuperar lentamente, ficou em 35,8 pontos no período, patamar considerado ruim por especialistas por ainda sinalizar grande ociosidade.

Economista da Fiemg, Annelise Fonseca destaca que a piora dos indicadores em julho não significa o fim da tendência de melhora que vinha sendo observada nos últimos meses. Segundo a especialista, historicamente, o terceiro trimestre do ano costuma ser mais aquecido para a indústria e este pode ter sido apenas um recuo pontual.

“O que pode ter atrapalhado no caso do nível de produção em julho, pode ter sido a concentração de férias de funcionários nesse período. Como essa pesquisa não levanta as razões, então podemos dizer que esse é um motivo que pode estar influenciando, mas não necessariamente que ele seja a causa da queda”, afirma Annelise Fonseca. Os estoques efetivos/planejados (47,8 pontos) também fecharam o mês abaixo do planejado pelas empresas.

Mesmo com os resultados negativos, os empresários mineiros estão otimistas para os próximos seis meses. A confiança no aumento da demanda (54,1 pontos) identificada em agosto foi observada nas indústrias de todos os portes: pequeno (53,5 pontos), médio (53,2 pontos) e grande (55 pontos). Quanto às exportações, o indicador de 49,9 pontos registrado no período retrata uma expectativa pela estabilidade quanto ao volume a ser negociado com o mercado externo. O mesmo ocorre com a compra de matéria-prima (50,1 pontos), que deve se manter no mesmo nível até fevereiro, segundo os empresários entrevistados.

Annelise Fonseca explica que a contradição entre os resultados reais apresentados pelas indústrias e as expectativas otimistas dos empresários ocorre por estas serem baseadas também em uma percepção dos entrevistados sobre o cenário atual.

“Os indicadores que a gente tem são formadores de opinião para os empresários quanto aos próximos meses, e, apesar de os índices ainda não estarem otimistas, os dirigentes já possuem uma boa perspectiva para os próximos seis meses em função da impressão deles sobre o mercado”, diz.

Já a expectativa do nível de emprego apurada em agosto (48,0 pontos) mostra que as empresas ainda creem em queda nos postos de trabalho, porém, em um nível menor que nos meses anteriores. Em uma espécie de efeito dominó, a intenção de investimentos segue baixa (41,7 pontos), apesar de este número ser o terceiro melhor de 2016. Fonte: Jornal Diário do Comércio