FIEMG DEFENDE TRANSFORMAÇÃO DE TODA A ECONOMIA

O conjunto de medidas anunciado pelo governo federal a fim de estimular a chamada “indústria 4.0”, incluindo a disponibilidade de linhas de crédito especiais, vai muito além do processo de atração de soluções tecnológicas para o setor produtivo nacional. É preciso disseminar os benefícios do padrão digital para toda a cadeia fabril, de maneira a estimular e transformar a economia brasileira.

Essa é a avaliação do economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Guilherme Velloso Leão. Segundo ele, o pacote de incentivo à modernização e digitalização da indústria, divulgado ontem, no Fórum Econômico Mundial, em São Paulo, é válido e promete ser transformador. Porém, o desafio da indústria brasileira é muito maior, considerando que os níveis de produtividade no País são bem inferiores aos da maioria das nações consideradas avançadas nesse quesito.

Leão citou uma série de benefícios que o conjunto de medidas promete trazer, inclusive as linhas de crédito especiais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e Banco da Amazônia (Basa). Ponderou ainda que não somente a indústria será beneficiada, mas outras áreas como comércio, serviços e logística.

“Não adiantará ter um dos integrantes da cadeia produtiva com o máximo de tecnologias empregadas se seus fornecedores não acompanharem o processo. Da mesma maneira, que, se os sistemas logístico, tributário e fiscal também não se adequarem, pouco será visto na prática em termos de modernização”, destacou.

Ainda conforme o economista, é preciso pensar na indústria de forma integrada. E, neste sentido, o País conta com uma heterogeneidade muito significativa, com empresas de diferentes portes atuando em um mesmo segmento, em diferentes condições. “A competitividade tem que existir para todos. Jamais teremos uma indústria integrada se o projeto beneficiar A em detrimento de B”, exemplificou.

Integração – Para isso, ele considera importante que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic) elabore políticas para construir cadeias produtivas integradas à indústria 4.0 que almeja. Isso passa pelo ambiente geral, capacitação de mão de obra, criação de novas habilidades e dispersão das novas tecnologias por toda a economia.

“Uma indústria que investir em robótica artificial e outras tecnologias acabará com uma estrutura ociosa se não tiver um ecossistema funcionando dentro do mesmo conceito. Há casos na Alemanha, por exemplo, em que fábricas funcionam no meio do centro urbano, mas, por serem muito avançadas nesse quesito, não geram impacto local, ambiental, nem perdem competitividade no meio do caminho, porque o sistema é integrado, robotizado, inteligente e eficiente”, exemplificou.

Assim, para que o pacote anunciado pelo governo gere efeitos concretos na economia, a aplicação do conceito de indústria 4.0 vai exigir uma série de mudanças estruturais no País, como flexibilização nas relações trabalhista e empresarial, melhoria da infraestrutura, redução da burocracia, diminuição do custo de produção e aumento da produtividade.

“Tudo isso precisará ser levado em consideração. A chegada da indústria 4.0 promete maior eficiência nos estoques e produção e, consequentemente, redução de gastos e ganho de competitividade, mas só vai se concretizar quando todo o processo for integrado e homogêneo. E, nesse quesito, temos um longo caminho a percorrer”, alertou.

Fonte: Jornal Diário do Comércio