Faturamento industrial cai em 4 das 5 regiões de Minas pesquisadas

Da mesma forma como a indústria mineira como um todo encerrou 2016 com queda de 11,6% no faturamento sobre o ano anterior, o parque fabril do interior do Estado acompanhou a tendência e fechou o exercício com recuo em quatro das cinco regiões pesquisadas pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Somente o Centro-Oeste conseguiu resultado positivo no ano passado, ancorado pelas exportações do segmento de metalurgia.

Os demais desempenhos foram todos negativos, mesmo com algumas regiões tendo apresentado números favoráveis no último mês de 2016. Os dados são da Pesquisa Indicadores Industriais Regionais (Index-Regionais) da Fiemg e não contemplam a região Norte de Minas.

Conforme o levantamento da entidade, o pior faturamento foi observado no Triângulo Mineiro, onde houve queda de 17,8% nas receitas da indústria, em virtude da queda nas vendas para os mercados interno e externo.

Com isso, o ajuste no quadro de funcionários ao menor nível de produção provocou recuo tanto nas variáveis relacionadas ao mercado de trabalho quanto nas ligadas à produção. Assim, o emprego registrou baixa de 5,6% e a massa salarial, queda de 9%. Além disso, as horas trabalhadas caíram 3,3% e o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) recuou de 86,2% para 74,5%.

De acordo com a economista da Fiemg, Annelise Fonseca, no acumulado de 2016, o faturamento do setor de alimentos no Triângulo decresceu como consequência do menor volume de vendas e da paralisação na produção em uma importante empresa de carne. Os segmentos de óleos e gorduras e de moagem e amiláceos também influenciaram o recuo no indicador. “De maneira geral, a queda acompanhou o ritmo do Estado”, resumiu.

A Zona da Mata também encerrou 2016 com queda no faturamento. A retração, neste caso, foi de 11,2%, devido à baixa das vendas no mercado interno. As horas trabalhadas na produção mostraram-se estáveis em relação a 2015, enquanto o emprego apresentou queda de 3,6% no mesmo tipo de comparação. A massa salarial avançou 7,5% e a Nuci caiu de 88,1% para 86,7%.

Neste caso, conforme Annelise Fonseca, o resultado ficou por conta de alguns setores que sentiram mais os efeitos da crise econômica do que os demais, como têxtil (-3,9%) e papel e celulose (-10,3%).

A indústria do Leste de Minas fechou o ano passado com resultado negativo em todos os indicadores. O recuo na demanda interna e nas exportações influenciou a retração no faturamento da região (-11%), apesar da expansão de 15,3% do indicador em dezembro, na comparação com novembro.

A queda na produção das empresas provocou a queda no emprego (-17,7%), impactando negativamente a massa salarial (-26,1%). Com o recuo no nível de emprego, as horas trabalhadas na produção recuaram 9,3% e a utilização da capacidade instalada chegou a 77,5%.

Sul – Já o parque industrial do Sul de Minas encerrou 2016 com o terceiro ano consecutivo de retração da atividade, chegando a -7,6%. O emprego teve baixa de 7,6%, a massa salarial, de 4,8% e as horas trabalhadas, de 6,1%.

Neste caso, as principais quedas foram observadas nos setores de alimentos (-17,7%), veículos automotores (-13,9%), produtos de minerais não metálicos (-4,5%) e máquinas e materiais elétricos (-3,1%). “Estes últimos estão muito ligados à construção civil, que sofreu grande retração no ano passado”, justificou a economista da Fiemg.

Na outra ponta, o Centro-Oeste apresentou crescimento de 1,4%. De acordo com Annelise Fonseca, o resultado pode ser atribuído ao aumento das exportações do setor de metalurgia. De toda maneira, os demais indicadores permaneceram negativos: emprego com queda de 12% no ano, massa salarial com recuo de 10,5% e horas trabalhadas com baixa de 10%. A Nuci fechou em 72,1%. Fonte Dário do Comércio