FATURAMENTO DO SETOR EM MG RECUA EM MARÇO

Após crescer por dois meses consecutivos na série com ajuste sazonal, o faturamento da indústria mineira voltou a cair. Em março na comparação com fevereiro houve queda de 0,6% nas receitas do parque industrial do Estado. Já em relação ao mesmo período de 2016 foi registrado crescimento de 0,3%.

Os dados são da Pesquisa Indicadores Industriais (Index), divulgada ontem pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e conforme o economista-chefe da entidade, Guilherme Velloso Leão, estão diretamente relacionados ao movimento de retomada da atividade econômica do País.

“O processo de recuperação é lento e essas oscilações são naturais. Tivemos aumento nos dois primeiros meses deste exercício, enquanto em março observamos uma leve freada no ritmo”, disse.

De toda maneira, o resultado do primeiro trimestre de 2017 ainda se manteve no campo negativo: -2,7%, assim como no acumulado dos últimos 12 meses encerrados em março, quando a receita da indústria mineira recuou 8,3%.

“A reversão destes números negativos ainda vai demorar a acontecer. Mas é bem provável que a melhora ocorra mês a mês, culminando com uma reversão da curva a partir do segundo semestre. A previsão do mercado em geral é de que a indústria deva encerrar o ano com resultados positivos”, explicou.

Conforme o Index, na comparação de março com fevereiro, retirando os efeitos sazonais, todos os índices apresentaram números negativos. Além do faturamento que encerrou o mês em -0,6%, as horas trabalhadas registraram -1,5%, o emprego -1% e a massa salarial -0,5%.

Quando comparados com igual mês de 2016, somente o faturamento apresentou resultado positivo (0,3%). As horas trabalhadas recuaram 5,4%, o nível de emprego 6,1% e a massa salarial 2,6%. Já o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) passou de 79,5% para 77,7%.

No acumulado de 2017 até o terceiro mês não foi diferente. Além da receita, todos os demais índices ficaram negativos frente aos primeiros três meses do exercício passado. Neste tipo de confronto, o setor de veículos automotores registrou a maior influência negativa sobre o resultado geral, enquanto o setor de produtos de metal apresentou a maior queda (-38,3%).

Setores – Vale destacar que os aumentos verificados em seis dos 16 setores analisados ainda não foram suficientes para reverter a retração do faturamento geral no período. “No entanto, a queda no indicador vem perdendo a intensidade”, ressaltou Leão.

A baixa de 38,3% no faturamento do setor de produtos de metal no primeiro trimestre deste ano se deveu principalmente ao recuo nas vendas nacionais, especialmente no segmento de estruturas metálicas; o de 25% na atividade de máquinas e equipamentos teve influência da baixa demanda do mercado em razão da crise, além de que, neste caso, houve ainda recuo nas vendas nacionais e internacionais.

Por outro lado, o aumento de 48,3% no setor de vestuário foi relacionado ao aumento das vendas nacionais, novos contratos e venda de produtos de maior valor agregado; e o de 21,6% na indústria extrativa mineral também se ancorou no aumento das vendas nacionais e exportações, bem como na melhora do preço internacional do minério de ferro. Fonte: Jornal Diário do Comércio