FATURAMENTO DA INDÚSTRIA MINEIRA TEM ALTA DE 1,3%

Após anos de resultados negativos em praticamente todos os indicadores, a indústria de Minas Gerais finalmente alcançou um desempenho positivo em 2017, com crescimento de 1,3% no faturamento na comparação com 2016. No entanto, a elevada capacidade ociosa do parque produtivo, em torno de 21,5%, ainda afasta novos aportes, uma vez que as indústrias tendem a ocupar essa ociosidade antes de investir. Por outro lado, ao preencher sua capacidade no chão de fábrica, as empresas também geram empregos.

Ao mesmo tempo, conforme o presidente do Conselho de Política Econômica e Industrial da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Lincoln Gonçalves Fernandes, a conjuntura econômica atual, com inflação e juros baixos, traz uma perspectiva ainda melhor para 2018, mesmo com as eleições presidenciais e a Copa do Mundo na Rússia. “Encerramos 2017 com um ritmo de crescimento definido para 2018, que deve ser um ano melhor”, pontuou.

O faturamento da indústria mineira aumentou 1,3% em 2017 em relação a 2016. Este foi o primeiro crescimento depois de dois anos de estagnação (2012 e 2013) e três anos de queda (2014 a 2016). Os dados são da Pesquisa Indicadores Industriais (Index), divulgada ontem pela Fiemg. Para 2018, a entidade projeta uma alta de 2% na receita do parque mineiro.

Fernandes explicou que, apesar da blindagem contra a política, o parque produtivo está mais protegido e isso traz perspectivas melhores. “A economia vem sendo trabalhada pelo governo de maneira que o impacto das questões políticas seja menor do que antes. Os ajustes feitos ao longo do último ano e meio nos deram uma capacidade maior de amortecimento de eventuais pressões negativas das mazelas políticas, mas não estamos vacinados contra tudo que pode acontecer”, ponderou.

Além disso, a saída de um cenário de inflação alta, juros elevados e contas públicas desorganizadas para uma situação “um pouco melhor” nas contas governamentais, inflação e juros baixos também traz um pouco mais estabilidade. “O setor produtivo e o consumidor fizeram ajustes internos nos últimos anos, reduzindo endividamento, enxugando custos e recuperando alguma liquidez. Não é um céu de brigadeiro, mas isso dá mais fôlego para a atividade econômica”, disse.

Empregos – O nível de emprego do parque industrial mineiro em 2017 caiu 4,9% em 2017 na comparação com 2016. No entanto, com base nos dados do Index, o recuo foi menos intenso que em 2015 e 2016 (retração de 7,1% em cada ano). A perspectiva de geração de postos de trabalho pelo parque para este ano, por outro lado, é positiva.
Segundo o presidente do Conselho de Política Econômica e Industrial da Fiemg, a geração de empregos pela indústria “se dá em cima da ocupação da ociosidade”. Uma vez que o parque operou em 2017 com uma média de utilização da capacidade instalada de 78,5% (ou ociosidade de 21,5%), abaixo da média histórica de 83%, a tendência é ocupar a capacidade total antes de investir.

“Estamos operando hoje em um patamar inferior à média histórica, fechando 2017 com 78,5% de utilização da capacidade. A recuperação vai se dar inicialmente pela ocupação dessa capacidade ociosa, que traz junto a geração de empregos, mas só mais à frente teremos a retomada dos investimentos”, explicou.

Outros indicadores de 2017 no confronto com 2016 da indústria mineira foram: horas trabalhadas na produção, com queda de 1,6% (menor recuo em quatro anos); massa salarial real, com alta de 0,6% (depois de recuo de 9,6% em 2016); e rendimento médio real, com elevação de 5,7% (o maior aumento desde 2011). Fonte: Jornal Diário do Comércio