FATURAMENTO CRESCE PELO 2º MÊS CONSECUTIVO EM MG

O faturamento da indústria mineira cresceu, pelo segundo mês consecutivo, em fevereiro ante janeiro, com alta de 4,7%. Porém, em relação ao mesmo mês do ano passado, foi apurada uma retração de 4,8%. Os dados são da Pesquisa Indicadores Industriais (Index), divulgada ontem pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

“Este resultado mostra que a indústria parou de cavar o fundo do poço e, observando os dados mensais, percebemos que a queda vem perdendo força”, afirmou a gerente de Economia da Fiemg, Daniela Britto. Ela lembrou que a receita do parque produtivo em janeiro já havia crescido 1,4% em comparação com dezembro de 2016.

No entanto, no acumulado dos últimos 12 meses encerrados em fevereiro, o faturamento da indústria mineira caiu 9,7%. “A reversão do número negativo ainda vai demorar a acontecer, mas vai ocorrer se os números mensais positivos continuarem”, observou a economista.

Conforme o Index, o indicador das horas trabalhadas na produção da indústria mineira, que reflete a produtividade do trabalhador no chão de fábrica, fechou fevereiro com evolução de 0,1% frente ao mês anterior, mas com queda de 1,4% em relação ao idêntico intervalo de 2016.

A massa salarial em fevereiro caiu 0,4% em relação a janeiro e 0,6% em relação ao mesmo mês de 2016. Nos mesmos confrontos, o rendimento médio permaneceu estável e cresceu 5,4%, respectivamente, com base nas informações do Index.

A utilização da capacidade instalada do parque industrial mineiro se manteve praticamente estagnada de janeiro para fevereiro, na casa dos 78,3%, mas caiu 2 pontos percentuais em relação a fevereiro de 2016. Em relação à média histórica do período, de 83,1%, há uma queda de 4,8 pontos percentuais.

“O nível de utilização da capacidade ainda é baixo e isso significa que há ociosidade grande na indústria, indicando que a retomada do investimento vai ser lenta porque o parque tende a absorver essa capacidade que está ociosa antes de iniciar novos projetos de investimento ou novas contratações”, avaliou Daniela Britto.

Emprego – A pesquisa da Fiemg mostrou que o nível de emprego da indústria em fevereiro caiu apenas 0,4%, indicando estabilidade. Porém, frente ao mesmo mês de 2016, a queda foi mais intensa, de 5,7%.

“O dado do Index relativo ao emprego está com números negativos porque representa a nossa amostra pesquisada. Porém, se pegarmos os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), que são mais abrangentes, podemos notar que os números do emprego na indústria estão positivos. A tendência de estabilidade percebida no Index de fevereiro para janeiro é condizente com o que temos observado no Caged”, explicou a economista.

Ela lembrou que, conforme os últimos dados divulgados pelo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a indústria da transformação gerou 2,9 mil vagas em fevereiro, já descontando as demissões no período. No bimestre, o setor abriu 7,9 mil postos de trabalho e foi o maior responsável pela criação de 9,1 mil empregos formais no Estado para o acumulado destes meses.

Veículos – O setor de veículos automotores, que representa em torno de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) da indústria de Minas, conforme já divulgado pela própria Fiemg, apresentou uma queda de 24,3% na receita do primeiro bimestre quando comparada à dos mesmos meses de 2016.

“É um setor dependente do crédito e da renda. O crédito se contraiu muito nos últimos anos e as instituições financeiras retraíram a oferta de crédito, combinando isso com elevadas taxas de juros. Do ponto de vista da renda, o nível de endividamento, desemprego e inflação, todos com índices altos, ajudaram a comprometer esse setor”, analisou a economista. Fonte: Jornal Diário do Comércio