FATURAMENTO CAIU 11,9% EM MG

A indústria mineira avançou em junho, mas no acumulado do ano continua perdendo receita, empregos e com ritmo de produção baixo. O setor que mais influenciou negativamente no resultado do primeiro semestre foi a cadeia automotiva, que acumulou queda de 43% no faturamento em relação aos mesmos meses de 2015. Segundo a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), o parque estadual está se acomodando em um patamar baixo de receita e produção para voltar a crescer.

Em junho, o faturamento do parque estadual cresceu 9,1%, em dados dessazonalizados, frente ao de maio. Porém, no acumulado do semestre, foi registrada queda de receita de 11,9% em relação ao mesmo período de 2015. Nesta mesma comparação, o nível de emprego caiu 9,8% em 2016. Os dados são da Pesquisa Indicadores Industriais (Index), divulgada na sexta-feira pela Fiemg.

“Nos últimos meses, estamos percebendo que as seguidas quedas de faturamento estão se amortecendo. Isso mostra uma tendência de estabilização. A indústria está se acomodando para tentar voltar a crescer”, afirmou o presidente do Conselho de Política Econômica e Industrial da Fiemg, Lincoln Gonçalves Fernandes.

Segundo ele, um dos fatores que mostram este movimento, como indicou a Sondagem Industrial, também divulgada na sexta-feira pela Fiemg, foi a redução nos níveis de estoque do setor. O levantamento apontou que o indicador de estoques de produtos finais atingiu 46,5 pontos em junho, caindo pelo terceiro mês seguido e chegando próximo à linha dos 50 pontos, mas ainda sem corresponder no aumento de produção.

“Quanto mais rápido desovar o estoque, mais rápido retoma o uso da capacidade”, disse Fernandes.

O Index mostrou que foi o resultado da indústria automotiva, que inclui toda a cadeia de fabricantes de autopeças, com uma queda de 43,5% na receita de janeiro a junho deste ano ante igual período de 2015, que mais pesou para a redução do faturamento da indústria do Estado no semestre.

Conforme já informado pela própria Fiemg, a cadeia automotiva representa em torno de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) do parque industrial mineiro. O segmento também acumula uma redução de 10,2% nos postos de trabalho e queda de praticamente 25% no uso da capacidade instalada, em igual confronto. “O setor continua sendo responsável pelo principal impacto negativo para o faturamento da indústria de Minas”, reforçou Fernandes.

Investimentos – O resultado dos fabricantes de bens de capital, que serve para medir os investimentos do setor produtivo porque retratam a compra de novos maquinários, também foi negativo. Em junho frente a maio, a receita do segmento aumentou 17,7%, mas, no semestre, o faturamento caiu 20,4% frente igual intervalo de 2015. A atividade ainda perdeu 23,3% de empregos na primeira metade deste ano.

A indústria extrativa apresentou resultado positivo de janeiro a junho apesar do impacto da paralisação das atividades da Samarco – em Mariana (região Central), desde o rompimento da barragem de Fundão, em novembro do ano passado – e seus efeitos sobre os resultados operacionais da Vale, sua controladora.

Mesmo com queda de 1,4% no faturamento de junho ante maio, a receita da indústria extrativa cresceu 6,7% na comparação semestral. Conforme o representante da Fiemg, o crescimento é decorrente da precificação das commodities minerais em dólar e por uma leve melhora nas cotações internacionais desses produtos. Ainda assim, em termos de emprego, o setor cortou 3,7% das vagas no acumulado até junho comparado ao mesmo intervalo de 2015.

Em relação à perda de empregos na indústria como um todo no semestre em relação aos mesmos meses de 2015 (-9,8%) e, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o fechamento de 9 mil vagas, Fernandes afirmou que o parque deve continuar demitindo no decorrer deste ano, mas em um ritmo menor.

Conforme o Index, o indicador de horas trabalhadas na produção da indústria mineira, que mede a produtividade do trabalhador, fechou o semestre negativo em 5,9% frente o mesmo período de 2015. Neste confronto, a massa salarial também caiu 13,6% e o rendimento médio diminuiu 4,2%, todos impactados pelas demissões. O parque mineiro utilizou 3,5% menos de sua capacidade instalada na primeira metade do ano em relação aos mesmos meses do exercício passado.

Sondagem – De acordo com a Sondagem Industrial da Fiemg, o indicador de produção tem mostrado melhora gradativa mês a mês, e em junho chegou a 47,9 pontos, se aproximando da linha de 50 pontos. O indicador de emprego industrial para o mês passado foi de 44,9 pontos e o nível de uso da capacidade instalada, 34,4 pontos, mostrando que o setor ainda trabalha com grande ociosidade.

Em linha com a tendência de “voltar a crescer”, a pesquisa mostrou ainda que os empresários do Estado estão com expectativas um pouco melhores. Em relação a demanda, o indicador cresceu 2,2 pontos para julho, chegando a 52,3 pontos. Além disso, os piores problemas apontados pelos industriais foram a elevada carga tributária e a demanda interna insuficiente. Fonte: Jornal Diário do Comércio.