FATURAMENTO CAI 11,6% EM MG

A indústria do Estado encerrou 2016 com queda de 11,6% no faturamento sobre o ano anterior. O recuo foi menos intenso do que o esperado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), mas representa a terceira retração consecutiva do parque industrial mineiro na comparação anual, que já havia amargado perdas de 15,93% em 2015 e de 6,27% em 2014. Com o resultado, a indústria de Minas acumula baixa de 33,8% nos últimos três exercícios.

De acordo com o presidente do Conselho de Política Econômica e Industrial da entidade, Lincoln Gonçalves Fernandes, considerando o melhor dos cenários conjunturais do Brasil, seriam necessários mais de quatro anos para retomar aos patamares do período pré-crise. Ainda assim, conforme ele, reformas importantes que ainda estão sendo estruturadas pelo governo federal, como a trabalhista, a previdenciária e a tributária, precisariam já ter sido efetivadas.

“O desempenho de 2016 não foi o pior, mas ocorreu em cima de uma base forte e representa uma perda de grandes proporções ao parque industrial mineiro. Importantes setores da economia do Estado foram e estão sendo afetados pela crise, de tal maneira que qualquer reparação não ocorrerá de maneira tão simples. Será necessário tempo para retomar aos patamares do período pré-crise”, explicou Fernandes.

Tamanhas foram as perdas do parque industrial do Estado no decorrer do ano passado que, segundo a Pesquisa Indicadores Industriais (Index) da Fiemg, o nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) atingiu seu menor nível desde o início da série história em 2003: 78,2%. Na comparação com exercício anterior houve uma diferença de mais de quatro pontos percentuais.

“A diferença de utilização do parque de um ano para outro foi muito expressiva. Principalmente no caso de Minas Gerais, em que há predominância da indústria de base, cujo capital é intensivo e a operação atinge quase que a totalidade da capacidade instalada. Esse nível de ociosidade preocupa porque representa perda de capital e queda de investimentos no setor produtivo”, justificou. Ainda conforme a entidade, a média histórica da utilização da capacidade da indústria em geral é de 83,6%.

Empregos – Com a retração no faturamento, houve perdas também na geração de empregos, nas horas trabalhadas e na massa salarial da indústria no Estado. Em termos de postos de trabalho a queda chegou a 7,1% no acumulado de 2016 frente a 2015. Fernandes lembrou que os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), revelaram a extinção de 70 mil vagas na indústria mineira em 2016 e que em 2015 este número havia sido de 137 mil.

“As perdas foram menores no ano passado, porque os maiores efeitos da crise sobre a indústria mineira começaram a ocorrer já em 2015. Em 2016 houve continuidade das consequências da retração do setor, em ritmo menos intenso. Já para 2017 a expectativa é que caso haja alguma retomada dos níveis de emprego, isso venha a ocorrer somente no segundo semestre”, alertou.

Conforme o presidente do Conselho de Política Econômica e Industrial da Fiemg, as empresas que já começam a ensaiar alguma recuperação darão início ao movimento com a retomada do ritmo de produção e a utilização da ociosidade das fábricas. “Empregos e investimentos ficarão para um segundo momento”, ressaltou. Fonte: Jornal Diário do Comércio