EMPRESÁRIOS MINEIROS ESTÃO MAIS OTIMISTAS

Influenciados pela perspectiva de uma retomada do crescimento, gerada em parte pela política econômica que vem ganhando forma na gestão do presidente interino, Michel Temer, os empresários da indústria mineira se mostram cada vez mais esperançosos quanto ao mercado brasileiro. Em julho, o Índice de Confiança do Empresário Industrial de Minas Gerais (Icei-MG) atingiu a marca dos 45,1 pontos e alcançou o maior nível desde março de 2014 (50,1 pontos). Na série histórica da pesquisa, realizada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), o melhor resultado para o indicador é de janeiro de 2010 (68,3 pontos).

Apesar de estar abaixo dos 50,0 pontos, o que ainda caracteriza falta de confiança, o Icei-MG tem crescido regularmente neste ano. Em 2016, julho foi o quarto mês consecutivo de alta do indicador, que, há exato um ano, apontava 34,3 pontos. Um dos principais fatores que contribuíram para puxar o índice para cima neste mês, aproximando-o do nível de confiança, foi a elevação do subindicador “Expectativas” dos empresários, que fechou em 50,6 pontos e entrou na esfera otimista pela primeira vez desde março de 2014. As grandes empresas foram as que se mostraram mais esperançosas quanto ao desempenho nos próximos seis meses: 52,9 pontos.

Para a economista da Fiemg, Érika Amaral, a adoção de medidas em prol do controle da inflação e as perspectivas pela redução da taxa de juros e também por uma maior disponibilidade de crédito têm tido efeitos positivos sobre o humor da indústria nos últimos meses. A especialista cita, como exemplo, a recente decisão do governo, publicada no último dia 15 de julho, de autorizar o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como forma de cobertura para empréstimos consignados. O objetivo seria ampliar a oferta de crédito para trabalhadores do setor privado.

“Tivemos a transição do governo federal – que ainda não sabemos se vai permanecer, situação que causa uma certa insegurança – , mas que já mostrou uma mudança na política econômica do Brasil, trazendo consigo uma melhoria na confiança dos empresários. Só de ter mudado a estrutura econômica do País, influenciou positivamente”, analisa Érika Amaral.

O subindicador “Condições atuais de negócio” foi outro a evoluir em julho, saindo de 33,3 pontos em junho para 34,4 pontos. Mesmo ainda no patamar pessimista, a alta mostra que a insatisfação tem perdido intensidade na região. Os empresários mineiros estão um pouco mais otimistas tanto com a economia brasileira (30,8 pontos), quanto a do Estado (29,0 pontos), e em relação à própria empresa (36,7 pontos).

Expectativas – Quanto às expectativas, a indústria local também visualiza melhoras para os próximos seis meses na economia brasileira (45,6 pontos), na economia mineira (43,6 pontos) e em seu próprio negócio (53,5 pontos). Esses indicadores são superiores tanto na comparação com o mês de junho como em relação a julho de 2015. A maior confiança, para Érika Amaral, é um importante sinal para a recuperação.

“Quando olhamos os indicadores de emprego, a gente vê que a indústria continua demitindo, mas em um patamar estável. A indústria está evitando demissões porque também está tendo uma manutenção da produção. Logo, se ela espera que não haverá queda no consumo, não vai diminuir a produção e, consequentemente, não demite. Por outro lado, vemos que o indicador de investimentos ainda é muito baixo porque as empresas estão com capacidade ociosa muito grande. Elas só vão investir a partir do momento que estiverem utilizando maior capacidade”, explica a economista da Fiemg.

Os indicadores que compõem o Icei-MG variam de 0 a 100 pontos. Quanto mais abaixo dos 50 pontos, maior o pessimismo dos empresários; acima, é sinal de confiança. Fonte: Jornal Diário do Comércio