CONFIANÇA SOBE 3,3 PONTOS EM MINAS

As medidas propostas no fim de 2016 pelo presidente Michel Temer com o intuito de incentivar a retomada da economia – como a reforma trabalhista – e a melhora dos indicadores de inflação e taxa de juros influenciaram positivamente o humor do empresário da indústria mineira. Em janeiro, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) de Minas Gerais, medido pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), apresentou alta de 3,3 pontos e fechou em 49,4 pontos.

O indicador ficou bem próximo do patamar de confiança, situado acima da linha dos 50 pontos. No mesmo mês em 2016, o empresariado estava bem mais pessimista, com o Icei calculado em 32,5 pontos. No Brasil, o índice de janeiro ficou em 50,1 pontos.

O grande responsável pela melhora do Índice de Confiança da indústria mineira no primeiro mês deste ano foi o componente de expectativas, diretamente influenciado pelas ações apresentadas pelo governo. Com 53,7 pontos, esse subindicador, que mede as perspectivas dos empresários para os próximos seis meses, voltou a demonstrar otimismo por parte do setor.

“O anúncio das medidas para recuperar a economia, como a proposta de alteração da legislação trabalhista, de ações que vão ajudar a corrigir o desequilíbrio financeiro das empresas e das famílias, como a redução da taxa de juros e da inflação, está contribuindo para uma melhora nas expectativas dos empresários para os próximos meses. Não fosse a percepção ainda negativa das condições atuais de negócio, o índice de confiança poderia ter sido até melhor”, avalia a economista da Fiemg, Annelise Fonseca.

As expectativas dos empresários se mostram otimistas em relação às condições internas da própria empresa (57,1 pontos), pessimistas quanto à economia regional (44,6 pontos) e cautelosas no que se refere ao País (49,4 pontos) nos próximos seis meses. As indústrias de grande porte (57,3 pontos) e médio porte (51,6 pontos) são as mais confiantes quanto ao futuro.

“As empresas de grande porte têm uma capacidade melhor de se adequar ao ambiente econômico. O fato de elas estarem confiantes é positivo porque elas puxam toda a cadeia. Assim, as empresas de médio e pequeno portes devem seguir nos próximos meses essa tendência também”, destaca Annelise Fonseca. Entre os fatores que tornam as grandes indústrias menos prejudicadas em um ambiente de crise, a economista cita como exemplo a maior facilidade de acesso ao crédito.

Insatisfação – Apesar de registrar uma melhora de 2,2 pontos em janeiro frente a dezembro, a percepção dos empresários mineiros sobre as condições atuais de negócio ficou em 41,4 pontos, retratando falta de confiança por parte do setor. Na análise por porte, as pequenas (34,5 pontos) e médias (39,1 pontos) indústrias foram as que demonstraram a maior insatisfação com o quadro econômico atual.

Questionada sobre os efeitos da melhora dos indicadores de inflação e de juros, a economista da Fiemg reconhece as contribuições como positivas, mas explica que elas só deverão provocar de fato alguma mudança na indústria a longo prazo. “Acredito que no fim deste semestre a gente já possa ter uma percepção melhor dessas medidas, mas, em um curto prazo, ainda é um pouco difícil”, conclui. Fonte: Jornal Diário do Comércio