CONFIANÇA DO EMPRESÁRIO RECUA 6,7 PONTOS

A paralisação nacional dos caminhoneiros, somada à lenta retomada econômica e ao quadro eleitoral ainda indefinido, fez com que a confiança dos empresários da indústria em Minas Gerais diminuísse em junho. O Índice de Confiança do Empresário Industrial de Minas Gerais (Icei) divulgado ontem pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) registrou 47,5 pontos em junho, recuo de 6,7 pontos na comparação com maio deste ano, quando o índice era de 54,2 pontos.

Essa foi a maior queda do Icei desde o início da série história em 2010 e o indicador voltou a ficar abaixo dos 50 pontos, após nove meses acima desse nível, o que revela a falta de confiança. Além disso, a avaliação dos empresários sobre a situação atual e prospectiva dos negócios piorou em relação a empresas de todos os portes.

Na avaliação da economista da Fiemg Daniela Muniz, o aumento das incertezas econômicas e políticas influenciou fortemente a queda apresentada em junho e a situação foi agravada pela paralisação nacional dos caminhoneiros, que reduziu produção e faturamento e ampliou incertezas no mercado interno. Segundo Muniz, em um ambiente que já não estava tão propício ao crescimento, a queda foi mais acentuada por causa da greve.

“A recuperação da economia tem acontecido de forma mais lenta do que era esperado até o fim do ano passado, quando a confiança sobre o que aconteceria em 2018 era maior. As preocupações vão crescendo com a proximidade das eleições e a greve dos caminhoneiros tirou praticamente dez dias de produção e faturamento das empresas”, explicou Muniz.

Os componentes do Icei também apresentaram redução e contribuíram para a queda do indicador. O índice de condições atuais, que mede a percepção dos empresários com relação à situação atual dos negócios, recuou 8,5 pontos na comparação com o mês de maio e registrou 41,2 pontos em junho. O resultado foi 2,3 pontos inferior ao apurado em junho de 2017 e interrompeu uma sequência de 24 meses de melhora na comparação anual.

Cautela – O índice de expectativas, que sinaliza as perspectivas dos empresários para os próximos seis meses, caiu 5,5 pontos entre maio e junho e ficou na marca dos 50,8 pontos. O indicador próximo dos 50 pontos sinaliza cautela por parte dos empresários após apontar otimismo por 10 meses seguidos.

“A questão da greve, que prejudicou o faturamento das empresas, influenciou diretamente o índice de condições atuais e, ao mesmo tempo, a paralisação causou uma incerteza ainda maior em relação ao futuro, o que afetou também o índice de expectativas”, afirmou a economista da Fiemg.

Daniela Muniz ressalta que os índices de confiança estavam apresentando uma melhora gradual antes desta queda acentuada. Com a economia em uma zona de incertezas e com impactos negativos para o ambiente econômico, a expectativa é de que o índice continue refletindo essas inseguranças em relação ao futuro. “Desde o início do ano, observamos uma melhora não muito consistente, mas que estava acontecendo. A partir de agora, a tendência é que os índices fiquem em um patamar mais baixo”, disse. Fonte: Jornal Diário do Comércio