ALTA DE IMPOSTO REDUZ ATIVIDADE PRODUTIVA

O aumento de impostos anunciado pela equipe econômica do governo federal na última quinta-feira vai intensificar a paralisia da economia ao desestimular a atividade produtiva, empreendimentos e consumo. Essa é a opinião de entidades representativas de empresários e comerciantes mineiros, que se posicionam contrariamente à medida e contestam sua eficácia. “Deve-se aumentar a arrecadação estimulando a produção e não aumentando imposto”, disse o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Olavo Machado Junior. Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Bruno Falci, a iniciativa pode não ter o resultado esperado. “O governo vai arrecadar mais de um lado, mas reduzirá a arrecadação do outro”, alerta.

Na última quinta-feira o governo federal anunciou a elevação de impostos sobre os combustíveis. As alíquotas do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) da gasolina dobraram, enquanto as do diesel subiram 86%. A medida objetivou evitar que o rombo das contas públicas ultrapasse R$ 139 milhões. Além da alta do imposto, o governo congelou mais R$ 5,9 bilhões no orçamento.

Segundo o presidente da Fiemg, pode-se considerar que a medida segue na contramão de outras decisões tomadas pelo governo federal, como a reforma trabalhista. “É um jato de água fria”, disse. Ainda de acordo com Olavo Machado, o aumento dos impostos gera insegurança num momento em que o empresariado estava começando a querer voltar a investir.

“Nós temos apoiado as ações do governo. Houve um grande esforço para a aprovação da reforma trabalhista, que deu ânimo a empreendedores e empresários, mas esse aumento de impostos faz a economia regredir ao criar entraves para quem quer produzir”, reforçou.

Ônus na cadeia – Olavo ressalta ainda que o aumento do imposto sobre combustível impacta a sociedade como um todo. “A maioria da produção é transportada sobre caminhões. O custo majorado do transporte vai onerar a cadeia produtiva como um todo. Não tem mágica”, disse.

As entidades também cobram mais eficiência por parte da administração pública. “Os empresários não são obrigados a pagar pela má administração do governo federal”, disse o presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado de Minas Gerais (Federaminas), Emílio Parolini. Ele considera inadmissível o governo federal aumentar impostos num momento de recessão.

Parolini ainda ressalta o fato de o aumento de impostos sobre combustíveis afetar toda a economia e acelerar a alta de preço de todo tipo de produto. “Imagina o transporte de matéria-prima, de mercadoria”, observa.

“Voos de galinha” – Para o presidente da CDL-BH, o aumento ocorre num momento delicado, quando a economia vinha dando mostras de que iria superar a crise política gerada pelas delações do empresário Joesley Batista, da JBS, envolvendo o presidente Michel Temer. “A economia vinha dando sinais de recuperação, quando vieram as delações da JBS. Agora, os indicadores começaram a melhorar novamente e vem esse aumento de impostos. Estamos vendo ‘voos de galinha’ da recuperação econômica”, adverte.

Para Falci, a medida é ineficaz. “O aumento de impostos não vai cobrir o rombo das contas públicas. Além disso, sufoca o empresariado e a população e pode levar ao fechamento de empresas, reduzindo a arrecadação”, prevê.

O dirigente cobra ainda a reforma tributária e o corte das despesas do governo federal. “Quando as contas não fecham, qualquer pessoa corta gastos. O governo dá uma canetada e aumenta impostos”,contesta.

Por meio de nota, o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Minas Gerais (FCDL-MG), Frank Sinatra, declarou que “o recente aumento da tributação nos combustíveis é um verdadeiro prejuízo para toda a economia. Fechar as contas públicas nas costas do povo que trabalha e paga os impostos é irresponsável e digno de repúdio.”

Para Frank Sinatra, a medida limita a retomada econômica. “Com altos números de desemprego e a alta tributação para suprir o inchaço das contas, fica difícil acreditar na retomada do crescimento. Criamos nossos próprios fatores limitantes”, diz o presidente da FCDL-MG na nota. Fonte: Jornal Diário do Comércio