ABIMAQ APONTA SUCATEAMENTO DE FÁBRICAS

Não é de hoje que a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) alerta para o processo de desindustrialização vivido pelo setor. Agora a entidade vai além, alegando que o processo atinge a base de grande parte do parque produtivo nacional e argumenta que, enquanto o governo federal não adotar uma política industrial abrangente, não será possível falar em uma recuperação econômica do País.

O presidente da entidade, Carlos Pastoriza, admite que, embora o atual cenário político brasileiro não seja favorável a qualquer reivindicação, são necessárias medidas que proporcionem a retomada da competitividade do País de uma maneira geral. Ele cita, como exemplo, as reformas tributária, previdenciária, fiscal e política.

“Quando os assuntos são esses todos os governantes e políticos empurram com a barriga. Precisamos antes de tudo de um País competitivo que tenha condições de estabelecer uma política industrial. Do contrário, o que temos é o sucateamento do parque fabril. Nosso setor, especificamente, está sendo desmontado”, alerta.

Tal processo, conforme Pastoriza, teve início há quase dez anos, quando eclodiu a crise financeira mundial de 2008, e se agravou junto com a deterioração do boom econômico então vivido pelo Brasil, marcado pela valorização internacional das commodities e a desvalorização do dólar. “O problema é que esse processo foi mascarado pelo consumo incentivado e, em vez de a desvalorização da moeda fortalecer a economia e a indústria nacional, acabou por enfraquecê-las”, explica.

O vice-presidente regional da Abimaq, Marcelo Luiz Veneroso, concorda com o presidente nacional. “O empresário tem que ter um ambiente para fazer negócio, com tributação articulada, regras claras, câmbio favorável e leis trabalhistas razoáveis. Política industrial é a solução para o problema, mas os governos sempre protelam”, completa.

Modermaq – Enquanto isso não acontece, a entidade vem se mobilizando para tentar reverter o quadro. No mês passado retomou a proposta de renovação do parque industrial nacional. O Modermaq propõe a substituição de máquinas sucateadas por novas de moderna tecnologia e de alto rendimento. A ideia era “pegar carona” na estratégia do governo de estimular as exportações e retomar o crescimento a partir do mercado externo, promovendo a renovação dos parques fabris, obtendo-se maiores ganhos de produtividade, de qualidade e de rentabilidade.

Conforme Pastoriza, o programa se encontra em “stand by” em virtude do cenário político-econômico, mas há indícios de que seja avaliado e adotado pelo governo no ano que vem. “O governo sabe da necessidade de um programa como esse. O ministro Armando Monteiro já deu garantias de que quando tiver espaço vai adotar as medidas”, defende.

De maneira complementar, o presidente da entidade nacional lançou ontem, em Belo Horizonte, um plano de ações da Abimaq com medidas para a recuperação do desenvolvimento da indústria de bens de capital.

A indústria de máquinas e equipamentos , conforme o presidente da Abimaq, deverá registrar em 2016 a quarta retração consecutiva no faturamento. Desde 2013 o setor já encolheu 30% e deverá acumular recuo de 40% ao fim deste exercício. Com isso, no mesmo período, as fábricas de bens de capital já acumulam mais de 70 mil vagas extintas. Em 2016 poderão ser canceladas outras 15 mil ou mais.

Em Minas, a situação é ainda pior. Conforme Veneroso, após retração de 50% no faturamento em 2015, as indústrias de máquinas e equipamentos do Estado deverão registrar nova baixa neste ano. Os empregos fechados chegaram a 7 mil. Fonte: Jornal Diário do Comércio